V etapa da formação dos Agentes Ambientais Indígenas ocorre no Oiapoque

Pressões dentro e no entorno das TIs foram discutidas pelos AGAMIN pensando em ações estratégicas e formas de monitoramento da implementação de seu PGTA

A quinta etapa da formação de Agentes Socioambientais Indígenas do Oiapoque (AGAMIN) ocorreu entre os dias 09 de julho e 04 de agosto de 2018, no Centro de Formação dos Povos Indígenas do Oiapoque, Terra Indígena (TI) Uaçá. Esta etapa teve início com o intercâmbio entre os Agentes Ambientais Indígenas do Oiapoque (AGAMIN) e os Agentes Socioambientais Indígenas Wajãpi (ASA), conduzido pelo consultor Igor Scaramuzzi, acompanhado pelas assessoras do Iepé, Rita Lewkowicz e Isabel Mesquita, pelo representante da TNC, Giovani Musial, e pelo representante da FUNAI, Sr. Domingos Santa Rosa. Na sequência, foram ministradas três disciplinas: “Instrumentos de monitoramento territorial”, “Produção e Sustentabilidade” e “Práticas e conhecimentos sobre agricultura e alimentação”. No final da etapa, quatro representantes dos AGAMIN participaram do 16º Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia – Belém +30, compartilhando os trabalhos e pesquisas desenvolvidos na região.

Agentes ambientais Wajãpi e do Oiapoque trocaram experiências em intercâmbio

Monitorando as pressões internas e no entorno das Terras Indígenas do Oiapoque

Orientados pelo professor Bruno dos Reis, os AGAMIN discutiram  como identificar e monitorar as pressões internas e do entorno das Terras Indígenas (TIs), usando diferentes estratégias de monitoramento, como vídeos, fotos, diários de campo e etnomapas. Durante o curso, os agentes elaboraram mapas dos principais locais de caça e pesca de cada região das três TIs, com base nos dados levantados pela pesquisa que realizaram nas aldeias no período de março a junho de 2018.

Debatendo as prioridades da gestão socioambiental das suas terras, os agentes decidiram focar no monitoramento de três pressões internas relacionadas: o manejo da biodiversidade, o fogo e queimadas, e a gestão dos resíduos sólidos. Esses três objetos de estudo serão acompanhados por meio da produção de material audiovisual com celulares.

O mapeamento dos locais de pesca e de caça é uma das estratégias dos agentes na gestão socioambiental das TIs

Modelos de produção e seus efeitos no território

Produção e sustentabilidade foram o foco da  terceira semana do curso, durante a qual foram discutidos os conceitos da economia e as consequências do modo de produção capitalista. A análise de mapas do desmatamento, urbanização, monoculturas, mineradoras, entre outros, permitiu a reflexão sobre os efeitos territoriais deste modelo produtivo. Discutiu-se também as consequências de grandes empreendimentos e os efeitos locais de grandes programas e projetos de desenvolvimento, como a relação da Ponte Binacional construída no Oiapoque com a Iniciativa de Infraestrutura da Região Sul-Americana (IIRSA) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Focando nas TIs, os agentes ambientais apresentaram suas pesquisas realizadas nas aldeias sobre as mudanças na produção agrícola e na dinâmica das trocas entre os indígenas e não indígenas na região. Ao analisar os resultados, os agentes destacaram o grande aumento do consumo de produtos da cidade e do uso do dinheiro nas TIs, e apontaram para a necessidade de desenvolver ações que valorizem os cultivares tradicionais, tanto para consumo, quanto para venda na cidade.

Os agentes discutiram o aumento do consumo de produtos da cidade e do uso de dinheiro nas TIs

Alternativas possíveis no diálogo entre conhecimentos

Frente a este contexto desafiador de pressões dentro e no entorno das terras, nas aldeias e na conjuntura política nacional, algumas alternativas parecem possíveis no diálogo entre conhecimentos. A última semana do curso foi dedicada à experiência com sistemas agroflorestais, pensando em novas técnicas de cultivo que dialogam diretamente com os conhecimentos indígenas e ajudam a pensar em alternativas para viver bem em uma terra agora limitada.

Esses desafios também marcaram o 16º Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia, realizado de 06 a 10 de agosto em Belém/PA, no qual quatro representantes dos AGAMIN participaram, apresentando seus trabalhos de manejo da agrobiodiversidade e pesquisas relacionadas à alimentação nas TIs de Oiapoque. O evento configurou-se como um importante espaço de trocas de conhecimentos e experiências entre os presentes: arqueólogos, antropólogos, biólogos, ecólogos, estudantes, povos indígenas, comunidades tradicionais de diferentes lugares do Brasil e do mundo, em um grande diálogo intercultural.

O curso de Formação de Agentes Socioambientais Indígenas do Oiapoque (AGAMIN) é uma conquista dos povos indígenas, assumindo o protagonismo da gestão socioambiental de suas terras. O curso é realizado em parceria pelo Iepé e TNC, no âmbito do projeto “Fortalecimento da Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas na Amazônia como estratégia de controle do desmatamento e de promoção do bem estar das comunidades indígenas” apoiado pelo Fundo Amazônia (BNDES).

 

 

 

 

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