V etapa da Formação em Gestão Ambiental e Territorial no lado leste do Tumucumaque

Em três módulos, foram discutidos o papel dos jovens no fortalecimento das associações indígenas, metodologias para a gestão das TIs, e a valorização e promoção do patrimônio cultural wayana e aparai

A aldeia Maxpurimo, na Terra Indígena (TI) Parque do Tumucumaque, recebeu, entre 10 e 29 de setembro de 2018, a V etapa de Formação em Gestão Territorial e Ambiental de Jovens e Lideranças do Tumucumaque Leste. Os três módulos desta etapa, nos quais estiveram presentes 48 formandos, trataram dos temas “Participação de jovens no fortalecimento das associações indígenas”, “Análise de decisões e modelagem por sistemas dinâmicos dos padrões decisórios e gestão da Terra Indígena” e “Valorização e Promoção Cultural”.

48 indígenas participaram desta etapa de formação em Gestão Ambiental e Territorial

No primeiro módulo, “Participação de jovens no fortalecimento das associações indígenas”, a antropóloga Marina Kahn propôs reflexões e exercícios sobre o que é e como funciona uma associação, esmiuçando o vocabulário relacionado ao assunto – os significados de termos como associativismo, trabalho comunitário, indicação, eleição, maioria, voto, assembleia, projeto e financiamento – e a prática real das associações.

Durante o segundo módulo, “Análise de decisões e modelagem por sistemas dinâmicos dos padrões decisórios e gestão da Terra Indígena”, ministrado pelo consultor Iuri Amazonas, foram retomadas as análises da metodologia “Figuras Ricas”, tema discutido em etapas anteriores da formação. A partir desta discussão, Amazonas adentrou o tema do pensamento sistêmico, por meio do qual trabalharam de modo prático a estruturação e identificação de problemas, bem como a questão da “capacidade de carga do ambiente”.

Conscientes de sua importância para a gestão das TIs, as mulheres participaram com afinco da formação

Por fim, na semana de 24 a 28 de setembro, foi realizado o módulo “Valorização e Promoção Cultural”, conduzido por Iori Linke e Lucia Van Velthem, cujo tema foram os padrões gráficos wayana e aparai.  A primeira parte do módulo consistiu em uma discussão sobre a noção de patrimônio cultural. A segunda, tratou de ações de valorização e promoção do patrimônio cultural wayana e aparai a serem desenvolvidas nos círculos internos e externos às aldeias e TIs. Neste contexto, foi apresentada a proposta da APIWA para o registro do sistema gráfico wayana e aparai no “Livro de Registro dos Saberes” do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Foram expostas e discutidas as etapas necessárias para este registro, tais como a definição, pelos participantes, dos componentes do sistema gráfico wayana e aparai a serem registrados, a pesquisa necessária para a elaboração de um inventário e o plano de salvaguarda.

Levantamento de componentes do sistema gráfico wayana e aparai durante o terceiro módulo da formação

O último período foi dedicado a novas e complementares pesquisas e registros dos componentes do sistema gráfico, e incluiu um levantamento detalhado de todas as matérias-primas utilizadas para a produção dos suportes nos quais são aplicados os grafismos, e um mapeamento da sua distribuição ao longo do rio Paru de Leste.

A Formação em Gestão Territorial e Ambiental de Jovens e Lideranças do Tumucumaque Leste é realizada pelo Iepé no âmbito do Projeto “Bem Viver Sustentável”, que tem como objetivo a implementação de Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) das TIs Parque do Tumucumaque e Paru d’Este, e conta com o apoio do Fundo Amazônia/BNDES.

As atividades foram acompanhadas por Jeciane Fonseca, assessora do Programa Tumucumaque, do Iepé.

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