V etapa da Formação em Gestão Ambiental e Territorial no lado oeste do Tumucumaque

Criação de abelhas nativas, valorização dos conhecimentos indígenas e identificação e solução de problemas foram temas abordados nas três semanas de formação

Entre os dias 2 e 20 de outubro de 2018, na aldeia Missão Tiriyó, Terra Indígena (TI) Parque do Tumucumaque, mais de 40 indígenas de todas as aldeias da região oeste da TI se reuniram para a quinta etapa da Formação de Jovens e Lideranças em Gestão Territorial e Ambiental, realizada no âmbito de implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) das TIs Parque do Tumucumaque e Rio Paru d’Este. Além dos formandos, estiveram presentes a Associação dos Povos Indígenas Tiriyó, Katxuyana e Txikiyana (APITIKATXI) e caciques da região. O curso foi dividido em três módulos: o primeiro, ministrado pelo consultor Iuri Amazonas (PROCAM/USP)  teve como tema “Resolução de problemas e pensamento sistêmico”; o segundo módulo, facilitado por Nacip Mahmud, agrônomo da equipe do Programa Tumucumaque/Iepé, tratou de meliponicultura e apicultura; e o terceiro, “Sistemas de Conhecimento”, foi facilitado pelo antropólogo Augusto Ventura dos Santos (DA/USP).

 Problemas e soluções na gestão da TI

O primeiro módulo, que ocorreu entre dia 2 e dia 6 de outubro, teve início com a retomada dos conteúdos abordados por Iuri Amazonas em sua última participação na formação, onde trabalharam a metodologia das “Figuras Ricas”. A partir dessa metodologia, iniciou-se uma discussão sobre o que é um problema, como procurar sua solução, e sobre a existência ou não de soluções perfeitas. Dado o foco da formação em Gestão Ambiental e Territorial, o consultor discutiu também com os alunos sobre “capacidade de carga do meio ambiente”, trabalhando a respeito de pensamento sistêmico e a utilização de diagramas causais.

Mais de 40 indígenas das aldeias do lado oeste da TI Parque do Tumucumaque participaram da formação

Criação de abelhas nativas

Meliponicultura e apicultura, temas de muito interesse para os alunos da formação, foram o foco do segundo módulo, que ocorreu entre 9 e 13 de outubro. Nas atividades, os participantes foram instigados, por meio de perguntas, a descrever a flora apícola, a cor das flores visitadas, o hábito de crescimento destas plantas e a paisagem onde são encontradas. Também foram observados o uso do mel, própolis e cera de diferentes famílias e espécies de abelhas nativas, como Purupïn, Wanë e Okomo, ligadas a costumes diferentes. Os pajés e as anciãs foram destacados como os detentores do conhecimento sobre as abelhas.

Os alunos fizeram desenhos para descrever a flora apícola da região

Aproveitando a estrutura de marcenaria da Missão Tiriyó, foram construídas três caixas para abelhas nativas. Todos os estudantes indígenas, rapazes e moças, manusearam as ferramentas e construíram as partes das caixas. Para os presentes, a possibilidade de colocar a mão na massa coletivamente facilitou o aprendizado das técnicas de confecção, além de contribuir para o estreitamento do vínculo entre os participantes. Ao final, os jovens representantes indígenas ressaltaram a importância de terem podido contar com a estrutura de marcenaria dos franciscanos, e da contribuição de Frei Ângelo, que é marceneiro, e compartilhou com todos os seus conhecimentos.

Coletivamente, os jovens construíram caixas para a criação de abelhas nativas 

Pesquisa e conhecimentos indígenas

O terceiro módulo, “Sistemas de Conhecimento”, aconteceu entre os dias 16 e 20 de outubro. Por meio de vídeos, debates, apresentações e leituras de textos, o antropólogo Augusto Ventura iniciou com os alunos discussões e reflexões acerca da importância da pesquisa e da valorização dos conhecimentos locais, inclusive na luta pelos direitos indígenas. Os alunos mostraram-se interessados e motivados na atividade de pesquisa, inclusive fazendo pontes com outros módulos do curso e situações de sua vida cotidiana. Uma atividade de pré-pesquisa foi combinada como tarefa para o próximo módulo.

Todos sentiram-se motivados a elaborar pesquisas que valorizem os conhecimentos tradicionais

De modo geral, os alunos seguem muito motivados com sua formação. O engajamento nas atividades subsequentes (Oficina sobre Protocolo de Consulta e XX Assembleia Ordinária da APITIKATXI) demonstra quão mobilizadoras têm sido as atividade da formação, não só em termos dos conteúdos abordados, mas também do engajamento dos jovens entre si, com suas comunidades e conhecimentos. A quinta etapa da formação foi encerrada com uma festa muito bonita, da qual participaram também as participantes das atividades da Wëriton Akenatëneho (Articulação das Mulheres), com muita dança, cantos, pinturas e sakura (bebida fermentada).

A Formação em Gestão Territorial e Ambiental de Jovens e Lideranças do Tumucumaque Oeste é realizada pelo Iepé no âmbito do Projeto “Bem Viver Sustentável”, que tem como objetivo a implementação de Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) das TIs Parque do Tumucumaque e Paru d’Este, e conta com o apoio do Fundo Amazônia/BNDES.

Acompanharam as atividades: Andréia Vaz, assistente de logística, Cecília de Santarém, assessora indigenista, e Jeciane Fonseca, assistente de coordenação do Programa Tumucumaque/Iepé.

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