Ações fortalecem trabalho dos Agentes Ambientais Indígenas no Oiapoque

Iepé e TNC realizam acompanhamento da atuação dos agentes nas aldeias e promovem discussões sobre a gestão dos resíduos sólidos, o manejo da agrobiodiversidade e os intercâmbios nas diferentes regiões das TIs do Oiapoque

Entre os dias 15 e 24 de setembro de 2018, foi realizada mais uma etapa de acompanhamento da formação dos Agentes Ambientais Indígenas (AGAMIN) em aldeias de duas regiões do Oiapoque: BR156 e Rio Curipi. Na ocasião, ocorreram atividades relacionadas ao monitoramento dos resíduos sólidos; ao manejo do tracajá; ao manejo do açaí e outras espécies florestais; e ao fortalecimento do trabalho dos AGAMIN, através de reuniões e intercâmbios dentro das Terras Indígenas (TIs) do Oiapoque. Participaram das atividades 30 agentes ambientais e representantes da CR e CTL da FUNAI, da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), do Iepé e da The Nature Conservancy (TNC).

Os AGAMIN se reuniram com suas comunidades para discutir a importância do PGTA e as pressões internas e externas às TIs

Levantamento sobre a gestão dos resíduos sólidos nas Terras Indígenas do Oiapoque

A problemática questão da gestão dos resíduos sólidos nas aldeias, umas das pressões internas que afetam as TIs, foi discutida na última etapa presencial do curso de formação. Na ocasião, foi elaborado um plano de monitoramento para realizar um primeiro diagnóstico de como está a situação dos resíduos nas aldeias. Durante o acompanhamento, então, foram dados os primeiros passos nesse monitoramento, como também realizadas algumas ações práticas na gestão dos resíduos.

Também foi realizada uma campanha itinerante nas aldeias da BR156 e do Rio Curipi, promovendo a discussão sobre o consumo de produtos industrializados e os desafios e alternativas da gestão dos resíduos sólidos nas aldeias e na cidade, durante a qual os AGAMIN explicaram nas comunidades a diferenciação dos tipos de resíduos e das formas de gerir cada um deles. Além disso, os estudantes realizaram o levantamento diagnóstico dos resíduos sólidos nas diferentes aldeias, através de foto e vídeo (monitoramento com o uso do aparelho de celular).

Ações concretas foram deixadas como unidades demonstrativas nas diferentes regiões. Na Aldeia Curipi (BR156), foi construída uma composteira de resíduos orgânicos próxima ao Centro Comunitário, e um Ponto de Entrega Voluntário (PEV) para armazenamento dos resíduos sólidos (plástico, garrafas de vidro, latas e pilhas) e posterior destinação à reciclagem ou logística reversa. Na Aldeia Japiim (Rio Curipi), foi diagnosticado que o local de disposição dos rejeitos não estava adequado. Este, então, foi fechado, e um novo local foi indicado para tal propósito. E na Aldeia Txipidon (Rio Curipi), foi construída uma composteira de casca de mandioca próxima à casa de farinha, visando à produção de adubo orgânico.

AGAMIN apresentam técnicas de manejo de baixo impacto em açaizais

Manejo da agrobiodiversidade

Com relação ao manejo do açaí, foi realizada uma aula teórica com os AGAMIN sobre a técnica de manejo de baixo impacto dos açaizais (desenvolvida pelo Projeto ABC desde 2012 nas TIs do Oiapoque) e também uma prática de intervenção na parcela já manejada da aldeia Curipi, analisando e comparando as intervenções recentes com as dos anos anteriores. Também realizou-se uma visita a área de açaizais na aldeia Japiim, e a uma experiência de recuperação florestal na aldeia Pakapoá (Rio Curipi), discutindo também a importância do monitoramento das espécies florestais para a elaboração de planos de manejo e programas de recuperação de áreas degradadas e espécies florestais que estão cada vez mais raras na região.

Quanto ao manejo de tracajás, realizou-se a soltura de 18 tracajás na lagoa próxima à aldeia Tukay (BR156), com a participação da escola (professores e alunos) e outros representantes da comunidade. Na aldeia Santa Isabel (Rio Curipi), foi construída uma incubadora para armazenar adequadamente os ninhos que serão coletados durante o período da desova. O objetivo é realizar expedições de coleta dos ovos durante o mês de outubro, nas cinco regiões do Oiapoque.

Alunos e professores da escola da aldeia Tukay participaram da soltura de 18 tracajás

Fortalecimento da atuação dos AGAMIN nas aldeias

Visando o fortalecimento do trabalho dos Agentes Ambientais Indígenas, foram realizadas reuniões comunitárias em seis aldeias das duas regiões, nas quais foram discutidos a importância da gestão socioambiental das TIs, o Plano de Gestão Territorial e Ambiental, as pressões internas e externas às TIs e o trabalho dos AGAMIN.

Além disso, tendo em vista uma das propostas do acompanhamento, que é proporcionar o aprofundamento dos conhecimentos dos agentes das diferentes regiões sobre o seu território, foi realizada uma visita à Montanha Estrela, lugar de referência para os povos indígenas do Oiapoque, de onde é possível ter uma visão ampla e panorâmica de grande parte das suas terras.

Agentes subiram ao topo da Montanha Estrela para ter visão panorâmica de suas terras

Os acompanhamentos são parte fundamental da formação dos AGAMIN, contribuem para o fortalecimento das ações nas aldeias e para a atuação dos agentes articulados com suas comunidades. São realizados no âmbito da parceria entre Iepé e TNC, apoiado pelo Fundo Amazônia (BNDES), em articulação com a FUNAI e o Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO).

Equipe técnica de acompanhamento: Bruno dos Reis Fonseca (professor do curso AGAMIN), Coaraci Gabriel (CTL/FUNAI), Davi Marworno (videoasta), Giovani Musial (TNC), Joenes Pereira (CR/FUNAI), Renan Martins (CR/FUNAI), Rita Lewkowicz (Iepé), Vinicius Cosmos Benvegnu (UNIFAP).

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