Jovens indígenas do Oiapoque se reúnem para discutir a preservação de seus territórios e de sua autonomia

Cerca de 400 jovens presentes no V Encontro da Juventude Indígena do Oiapoque apresentaram um cenário promissor ao movimento da juventude

                Juventude indígena do Oiapoque se reúne para discutir o seu papel no futuro de seus territórios

“Preservação do território e da autonomia como garantia de futuro”. Este foi o tema que pautou as discussões de cerca de 400 jovens indígenas das etnias Galibi Marworno, Galibi Kali’na, Karipuna e Palikur, representantes das cinco regiões das Terras Indígenas (TIs) do Oiapoque, durante o V Encontro da Juventude Indígena do Oiapoque, que ocorreu entre os dias 5 e 8 de junho, na aldeia Kumarumã, localizada na TI Uaçá. Nos três dias de encontro, os jovens participaram de uma extensa e variada programação composta por mesas de debate, rodas de conversas e oficinas. Nos momentos de descontração ocorreram apresentações culturais, dinâmicas de perguntas e respostas com o público e uma gincana ecológica.

Cultura e diversidade impulsionam o movimento da juventude indígena

O primeiro dia de encontro foi marcado por um momento único e emocionante: a apresentação do Turé pelos jovens da aldeia Kumarumã, ritual que não era realizado há cinco anos pela comunidade. Os jovens da região do Curipi também realizaram o seu Turé, demonstrando o envolvimento e animação de todos para a realização do evento. Outras atividades culturais ocorreram em todas as noites do encontro. Os jovens da aldeia Tukay, por exemplo, apresentaram uma peça de teatro sobre mudanças culturais e a quebra do resguardo, e houve, ainda, apresentações de toadas.

                   Jovens da aldeia Tukay apresentaram peça sobre mudanças culturais e quebra do resguardo

Além da marcante valorização cultural possibilitada pelo encontro, a diversidade dos jovens presentes e de suas vivências ocasionaram uma rica troca de experiências acerca do movimento da juventude. A participação de convidados como os oito Jovens Protagonistas do Mosaico da Amazônia Oriental, vindos de diversas regiões do Amapá – extrativistas, castanheiros, quilombolas e indígenas Wajãpi, Tiriyó e Katxuyana – e de estudantes do Instituto Federal do Amapá (IFAP-Oiapoque), foram fundamentais nesse sentido.

        Jovens Protagonistas do Mosaico da Amazônia Oriental enriqueceram o encontro com suas experiências

PGTA das TIs do Oiapoque, preservação ambiental e outros temas atuais em discussão

Durante o segundo dia, o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) das TIs do Oiapoque foi apresentado pelos agentes socioambientais (AGAMIN), como ferramenta de conscientização e fortalecimento para o movimento indígena. Nessa oportunidade, os jovens Wajãpi e Katxuyana também apresentaram, respectivamente, os PGTAs da TI Wajãpi e do Complexo Tumucumaque – constituído pelas TIs Parque do Tumucumaque e Paru D’Este.

Em seguida, nos grupos de trabalho, os jovens discutiram os principais problemas socioambientais de suas regiões e possíveis soluções, em consonância com o PGTA. Entre os problemas relatados nas comunidades, o lixo foi unanimidade entre todos os grupos de trabalho, seguido pelas queimadas nos campos, invasões e o tráfego intenso na BR 156. Como conclusão, foi destacada a importância da preservação ambiental e a responsabilidade de todos para a implementação do PGTA.

Os jovens assistiram atentos à apresentação do PGTA das TIs do Oiapoque e concluíram que sua implementação é responsabilidade de todos

Também foram ministradas oficinas sobre diversos temas: saberes indígenas, segurança alimentar, grafismo, economia solidária, plantas medicinais, problemas relacionados ao alcoolismo e o uso da internet. Todas as oficinas tiveram a participação ativa e muito interessada dos jovens.

Passado e presente do movimento dos povos indígenas do Oiapoque

No terceiro dia, em um primeiro momento conduzido pelo Conselho de Caciques dos Povos Indígenas (CCPIO), os jovens puderam ouvir depoimentos de lideranças indígenas – caciques, professores e ativistas –, como Gilberto Iaparrá, que falou sobre o atual momento do movimento indígena e sobre as ações do CCPIO, e dona Elza, liderança da aldeia Kumarumã, que contagiou a todos com suas histórias. Destacam-se também os trabalhos apresentados pelo professor Nordevaldo dos Santos, sobre a cultura indígena, e por Lilia Ramos, que exibiu uma linha do tempo do movimento da juventude indígena e discutiu a relevância do movimento conduzido pela Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM).

Em um segundo momento, representantes da Organização Indígena da Juventude de Oiapoque (OIJO) contaram sobre os avanços e desafios do movimento da juventude indígena. Também ocorreu uma plenária para a escolha da logomarca da OIJO. Na leitura da carta final do V Encontro, os jovens pediram mais apoio para enfrentar os problemas e desafios apontados. De uma maneira geral, a avaliação do encontro foi muito positiva, superando todas as expectativas. Os jovens participantes, a comunidade do Kumarumã e os parceiros do evento foram unânimes em considerar o V Encontro um dos melhores já realizados.

  Os participantes foram unânimes em considerar o V Encontro um dos melhores já realizados

Comissão organizadora do evento

A realização deste evento contou com duas comissões organizadoras. A OIJO conduziu os trabalhos na cidade de Oiapoque e na aldeia Kumarumã foi formada também uma comissão local. Foram parceiras do V Encontro, igrejas, organizações indígenas (CCPIO, AIPGM, AMIM, AIPA, OPIMO e AGAMIN), governamentais (FUNAI e IFAP) e não governamentais, como a The Nature Conservancy (TNC). O Iepé assessorou o planejamento e apoiou a realização deste evento.

Redação: Juliana Licio e Rita Lewkowicz

Edição: Marina Rabello

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