Iepé realiza mais uma etapa de acompanhamento das atividades dos Agentes Socioambientais Indígenas do Oiapoque

Na ocasião, os agentes realizaram a soltura dos tracajás e visitaram o Lago Maruane, lugar de referência para os indígenas da região

Entre os dias 29 de abril e 6 de maio, o Iepé realizou mais uma etapa de acompanhamento dos Agentes Ambientais Indígenas (AGAMIN) nas aldeias das Terras Indígenas do Oiapoque. A ocasião envolveu atividades de manejo dos quelônios, monitoramento territorial e trocas de conhecimentos sobre o território com o objetivo de fortalecer a articulação dos AGAMIN com as comunidades e promover ações coletivas de gestão territorial e ambiental nas TI’s do Oiapoque. O acompanhamento contou com a participação dos agentes socioambientais das cinco regiões, acompanhados por representantes do Iepé, FUNAI, TNC, Unifap e ICMBio.

A soltura dos tracajás ocorreu nas regiões do Rio Urukauá e Rio Uaçá e faz parte do projeto de etnoconservação dos quelônios, que vem sendo realizado desde 2004 na região do Oiapoque. Primeiramente, na aldeia Kumenê, foi realizada uma grande palestra na escola, com mais de 200 crianças e professores, sobre a importância do cuidado com o mewka (tracajá na língua palikur).

Na região do Rio Uaçá, a coleta foi mais abrangente. Duas equipes de trabalho haviam coletado 660 ovos de tracajá, dos quais 540 se desenvolveram e foram soltos durante o acompanhamento. Na Aldeia Kumarumã, a palestra feita pelos agentes ambientais e professores convidados retomou os eixos do PGTA, as ações realizadas pelos AGAMIN e a importância do trabalho de manejo do tauahu (tracajá na língua kheuol). A soltura foi realizada em três regiões do rio, de acordo com os pontos de coleta: na aldeia Manaú, com a participação de aproximadamente 200 crianças; na região do Soraimon e Zile Jacob, realizada por uma equipe de agentes ambientais; e na aldeia Flamã, com a participação de agentes ambientais e professores.

 

 

Troca de conhecimentos e monitoramento do território no Lago Maruane

No penúltimo dia do acompanhamento, uma equipe de 51 pessoas visitou o Lago Maruane, um lugar de referência para os povos indígenas do Oiapoque. Acompanhados pelo sábio Roberto Forte e pelo professor Nordevaldo dos Santos, os agentes ambientais ouviram as histórias sobre os donos do lago, sobre sua origem e descobrimento, relatando a conexão que o Maruane tem com os outros lagos e sua importância como um berçário para os afluentes dos rios que atravessam as terras indígenas. Relembrou-se a importância estratégica do lago na época do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e as trocas comerciais com as comunidades do Cassiporé, especialmente antes da criação do Parque Nacional (Parna) Cabo Orange. Nesse sentido, contando com a presença do estagiário do ICMBio, debateu-se sobre a sobreposição com o Parque e a importância de fortalecer parceiras para monitoramento da região.

Exercitando, na prática, os conhecimentos aprendidos na oficina de uso do aparelho de GPS para monitoramento territorial, os agentes socioambientais registraram as rotas traçadas e pontos de referência do Lago Maruane, tais como: ninhais de pássaros, poços, rotas antigas, locais de invasão, ilhas, entre outros. A atividade contribuiu, assim, para um maior conhecimento dos jovens indígenas de seu território, considerando os aspectos ambientais, culturais, sociais e políticos da região.

Estas atividades fazem parte do curso de Formação de Agentes Socioambientais Indígenas do Oiapoque, realizado em parceria pelo Iepé e TNC, no âmbito do projeto “Fortalecimento da Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas na Amazônia como estratégia de controle do desmatamento e de promoção do bem estar das comunidades indígenas” apoiado pelo Fundo Amazônia (BNDES).

Participantes:

Agentes Ambientais Indígenas (AGAMIN): Adailson Ioiô Labonte, Caviano Benjamin Forte, Deimison dos Santos, Dieldo Charles dos Santos, Edmilson Iaparrá Labontê, Egson Monteiro Clarindo, Elbson Henrique Leonel, Eliano dos Santos Iaparrá, Evandinho Narciso, Garcia Narciso, Geô Ioiô, Gidolfo Ioiô Iaparrá, Hildson dos Santos Iaparrá, Jarbas Malaquias Pastana, Jessinaldo Labonte Ioio, Judson dos Santos Batista, Lázaro Getúlio dos Santos, Lelivaldo Iaparra dos Santos, Manoel Severino dos Santos, Marinelson dos Santos, Mayke de Oliveira dos Santos, Mercias Silva Narciso, Rafael Monteiro Hortencio, Rivaldo dos Santos Forte, Ronaldo Narciso Anicá, Ronivaldo Severino, Rosenilda Santos Martins, Sedrick Anicá dos Santos, Sidelvan Monteiro dos Santos, Sielton Forte, Zanilda Narciso Lourenco

Equipe técnica de acompanhamento: Claudiane Menezes Ramos (UNIFAP), Cleuton Pinto Miranda (ICMBio/UNIFAP), Coaraci Gabriel (FUNAI), Giovani Musial (TNC), Haroldo dos Santos (FUNAI), Joenes Antônio Guimarães Pereira (FUNAI), Rita Becker Lewkowicz (Iepé), Roselis Mazurek (professora do curso AGAMIN), Vinicius Cosmos Benvegnu (UNIFAP).


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