Sétimo módulo da formação dos Agentes Socioambientais Wajãpi acontece na Terra Indígena

Entre os dias 03 a 16 de dezembro de 2017, no Centro de Formação e Documentação Wajãpi, aconteceu o sétimo módulo da formação dos Agentes Socioambientais Wajãpi. O curso de Formação de Agentes socioambientais Wajãpi é realizado em parceria pelo Iepé e TNC, no âmbito de projeto “Fortalecimento da Gestão Territorial e ambiental de Terras Indígenas na Amazônia como estratégia de controle do desmatamento e de promoção do bem estar das comunidades indígenas” apoiado pelo Fundo Amazônia (BNDES).

 

Durante a primeira semana, o historiador Felipe Garcia ministrou a terceira etapa da disciplina “Produçãoe Sustentabilidade”, abordando principalmente, aspectos referentes ao funcionamento da economia capitalista, com foco na produção e no consumo, salário, dinheiro, circulação de mercadorias, lucro, juros e empréstimos. Também foi realizada uma estimativa da entrada de dinheiro na Terra Indígena Wajãpi e o inicio de um levantamento dos principais gastos das famílias wajãpi na cidade. Foi possível perceber que alguns dos problemas relacionados ao uso do dinheiro (como empréstimos em bancos e com agiotas) precisariam de um estudo mais aprofundado. Os ASA se propuseram a iniciar uma pesquisa no seu núcleo familiar sobre a circulação e uso do dinheiro a partir de um questionário em língua wajãpi elaborado durante o curso. A proposta é que cada ASA entreviste pelo menos cinco casais, iniciando um diagnóstico socioeconômico da TIW. As informações produzidas nessas entrevistas serão sistematizadas na próxima etapa dessa disciplina, prevista para julho de 2018.

   

Na segunda semana do curso, Ana Blaser, do Iepé, retomou as atividades propostas  para a etapa de dispersão (entre os meses de agosto e novembro), sobre os experimentos para aceleração das capoeiras e o diário de alimentação. Foi feita uma rememoração dos objetivos dos experimentos e em seguida um relato detalhado de cada ASA sobre o que conseguiu fazer no verão e quais foram as dificuldades enfrentadas. A partir desse relato e da sistematização dessas informações em grupos, foi feito um planejamento para a plantação de novas mudas para o inverno de 2018 (de janeiro a julho). Além disso, também foi discutido a finalidade dos diários de alimentação e um esboço para a sistematização das informações trazidas pelos ASA. Apesar do foco serem as informações sobre caça, pesca e alimentação industrializada, os ASA concordaram que informações relacionadas a roça também devem ser mais detalhadas, e por isso, complementaram o roteiro que tinha sido elaborado anteriormente, propondo um levantamento sobre o kasiri e também sobre a diversidade de produtos das roças de cada região. Um dos objetivos é comparar a qualidade da alimentação nas diferentes regiões, no inverno e no verão.

No final do curso, Rosenã Wajãpi concluiu: “Durante a formação dos ASA, nós estudamos de um jeito diferente, a gente aprende a pensar sobre muitas coisas, aprende a pensar nos trabalhos que vamos fazer na nossas comunidades, de acordo com o nosso Plano de Gestão. Todo o tempo nós discutimos esses trabalhos, e isso dá vontade de fazer, porque eu entendo bem os objetivos das nossas atividades, como por exemplo, os experimentos para aceleração das capoeiras. (…) Para finalizar, o que mais gostei nesse curso foi a proposta de pesquisa sobre a circulação de dinheiro, porque ela vai nos ajudar a achar uma solução para o nosso povo e pensar sobre as propostas para melhorar o uso do dinheiro dentro da TIW”.

Por fim, foi feito um planejamento e roteiro para o acompanhamento previsto para acontecer nas aldeias Mariry, Karapijuty, Manilha, Ytuwasu e Ytape no fim de janeiro. A próxima etapa do curso deverá acontecer em maio de 2018.

Elaboração: Ana Blaser

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