Formação dos Agentes Ambientais Indígenas (AGAMIN) se inicia no Oiapoque

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Entre os dias 04 e 30 de julho de 2016 ocorreu a primeira etapa do Curso de Formação de Agentes Ambientais Indígenas do Oiapoque (AGAMIN), no Centro de Formação dos Povos Indígenas do Oiapoque, localizado na Aldeia Manga, Terra Indígena Uaçá (AP). Agamin foi o nome escolhido pelos agentes para se autodefinir, pois além de representar a soma das iniciais de “agente ambiental indígena”, essa palavra se refere a uma ave amazônica que cuida e limpa a floresta (a ave é conhecida em português como jacamim). Durante as quatro semanas do curso, os 44 jovens Karipuna, Galibi Marworno e Palikur estiveram reunidos em um espaço de troca de saberes, em que se colocaram em diálogo os conhecimentos dos diferentes povos indígenas e os conhecimentos científicos. Foram realizados trabalhos em grupos sobre diferentes temáticas, exercícios de escrita e leitura, apresentações e diálogos que produziram um espaço de debate sobre os desafios atuais que enfrentam, assim como o fortalecimento de sua organização social, práticas e conhecimentos.

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Neste primeiro módulo, foram realizadas quatro disciplinas. A primeira delas, ministrada pela antropóloga Teresa Cristina Silveira, foi “Modelos de desenvolvimento e Terras Indígenas”, com o objetivo de debater os diferentes modelos de desenvolvimento e o histórico de ocupação e colonização da região amazônica, relacionando-os com a crescente pressão em torno dos recursos naturais e dos conhecimentos dos povos indígenas. A disciplina contou com a participação do Sr. Domingos Santa Rosa, Galibi Marworno que trabalha há muitos anos na FUNAI, quem fez um histórico da presença do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) na região e um relato dos diferentes projetos empreendidos por esta instituição nas terras indígenas no Oiapoque. A apresentação de vídeos da situação de outros povos indígenas no Brasil despertou curiosidade dos agentes em formação especialmente com relação às dificuldades enfrentadas pela garantia e manutenção de suas terras nestas outras regiões do país.
A segunda disciplina, ministrada pela mesma professora, foi “Gestão Socioambiental das Terras Indígenas”. Buscou trazer elementos para analisar os problemas vividos nas terras indígenas, para que seja possível discutir as indissociáveis relações existentes entre os problemas ambientais e sociais. Os agentes ambientais construíram mapas de etnozoneamento das Terras Indígenas do Oiapoque, caracterizando suas comunidades, apontando para os riscos e ameaças que as acometem, dentro e fora dos limites das suas terras. Apresentou-se os sete eixos da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), assim como os dois documentos produzidos pelos povos do Oiapoque no âmbito de seus planos de gestão socioambiental: o Plano de Vida e o PGTA das TIs do Oiapoque.

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A terceira disciplina, “Sistemas de conhecimento”, ministrada pelo antropólogo Augusto Ventura dos Santos, consistiu no debate a respeito das diferentes práticas de conhecimento e modos de conhecer, e no exercício da comparação entre sistemas de conhecimento (indígenas e não-indígenas, assim como dos diferentes povos na região). Foram apresentados os princípios básicos da pesquisa científica, a partir dos quais os agentes elaboraram seus projetos de pesquisa, que irão realizar no período de dispersão em suas comunidades. A produção da farinha, a fabricação de artefatos, o estudo das festas e do histórico das aldeias foram alguns dos temas de interesse dos agentes para esse primeiro passo das suas pesquisas.A última disciplina, ministrada pelo historiador Luis Felipe Garcia, foi “Produção e Sustentabilidade”. Foram apresentados os princípios da economia, especialmente troca, produção, distribuição e consumo, fornecendo elementos para pensar a comparação entre os diferentes sistemas produtivos, entre capitalismo e economias indígenas. Desenharam-se cadeias produtivas de diferentes produtos indígenas e não-indígenas, provocando a reflexão sobre as consequências das diferentes formas de produção. Com a participação da professora indígena, Edilena dos Santos, os agentes ambientais desenvolveram um debate bilíngue sobre as formas de organização da produção e venda de produtos dentro das terras indígenas, e a importância que estes acordos coletivos têm para a gestão do seu território.
O curso de Formação de Agentes Ambientais Indígenas do Oiapoque (AGAMIN) é uma conquista dos povos indígenas, assumindo o protagonismo da gestão socioambiental de suas terras. O curso é realizado em parceria pelo Iepé e TNC, no âmbito do projeto “Fortalecimento da Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas na Amazônia como estratégia de controle do desmatamento e de promoção do bem estar das comunidades indígenas” apoiado pelo Fundo Amazônia (BNDES).

 

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