Arte das mulheres Tiriyó e Katxuyana é destaque no Museu do Índio da Funai

A tecelagem com miçangas praticada pelas mulheres artesãs tiriyó e katxuyana, do Parque Indígena do Tumucumaque, norte do Pará, é um dos destaques da exposição “No caminho da miçanga – um mundo que se faz de contas” em exibição no Museu do Índio, da Funai, no Rio de Janeiro. A exposição que ocupa todo o casarão principal do Museu está dividida em sete ambientes (Viagem, Mito, Encontro, Troca, Brilho, Ritual, Encanto e Mergulho), reunindo instalações multimídias, 700 peças e 20 filmes de 24 etnias do Brasil, além de 18 da África, da Ásia e das Américas.

Logo na primeira sala, peças produzidas pelas mulheres tiriyó e katxuyana, no âmbito das ações de valorização cultural desenvolvidas pelo Iepé, em parceria com a Apitikatxi e com o Museu do Índio, são apresentadas. Tangas femininas, pulseiras, cinturões masculinos e um tear, que integram a coleção etnográfica do Museu do Índio, e foram coletadas durante oficinas de valorização cultural desenvolvidas pelo Iepé nas aldeias tiriyó e kaxtxuyana são exibidas juntamente com artefatos de outros povos indígenas do Brasil.

Segundo o diretor do Museu do Índio, José Carlos Levinho, a exposição resulta de “um processo de trabalho que vem sendo desenvolvido nos últimos cinco anos, que contou com a participação de inúmeros pesquisadores e povos indígenas. A exposição procura mostrar a importância da cultura material para os diferentes povos de todos os continentes, com destaque para essa preciosa matéria prima apropriada por quase todas as culturas – a miçanga. Não podemos falar de miçangas sem reconhecer as maiores detentoras do conhecimento sobre o seu manuseio: as mulheres indígenas, exímias artesãs dessa arte complexa e fascinante, que com as mãos, as linhas, as contas e as cores tecem verdadeiras obras primas, registros fundamentais da história e cosmologia de seus povos”.

Desde 2006, o Iepé desenvolve um programa de valorização cultural com as mulheres tiriyó e katxuyana que visa incentivar a melhoria das condições de transmissão, produção e reprodução de conhecimentos envolvidos na arte de tecer com sementes e miçangas. “Esse trabalho resultou em várias oficinas onde foram compartilhados conhecimentos sobre a origem e técnicas associadas a arte de tecer com algodão, miçangas e sementes, quando se produziu um rico acervo de histórias, desenhos, fotografias, filmagens e peças, várias delas incorporadas à coleção do Museu do Índio e de outros museus no Brasil”, explicou o coordenador executivo do Iepé, Luís Donisete Benzi Grupioni.

A exposição foi inaugurada no último dia 19 de agosto, com a presença de várias artesãs indígenas do país e tem curadoria da antropóloga Els Lagrou.

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