Macapá realiza ato em apoio aos Guarani Kaiowá

Na última sexta-feira, 09 de novembro, representantes de diversos segmentos da sociedade macapaense realizaram, em frente à Casa do Artesão, na Avenida Beira Rio, um ato em solidariedade ao povo indígena Guarani Kaiowá. A mobilização foi feita pela internet, através da criação de um evento nas redes sociais. Ao todo, passaram pelo local aproximadamente 100 pessoas. Embora não tenha contado com um público tão grande quanto o estimado nos atos realizados na mesma data em grandes cidades, a realização em local de grande circulação de transeuntes e turistas proporcionou um espaço de divulgação do caso para pessoas que nunca tinham sequer ouvido falar da situação do povo Guarani Kaiowá de MS. A mobilização virtual também suscitou diversas discussões e envolveu mais de 600 pessoas que se empenharam em divulgar o evento e difundir informações qualificadas.

O ato contou com o apoio de diversos grupos, como centros acadêmicos, coletivos e outras organizações da sociedade civil. As falas de esclarecimento foram feitas por representantes da Funai local, da CNPI, do Iepé e da licenciatura intercultural indígena da UNIFAP, sobre a situação específica dos Guarani Kaiowá, sobre os povos indígenas no Amapá e sobre medidas que afetam todos os povos indígenas no Brasil, como a Portaria 303 da AGU.

Os participantes produziram muitos cartazes interessantes, que demonstram um grau razoável de entendimento da questão. As alunas do centro acadêmico de Ciências Sociais da UNIFAP distribuíram fitas brancas em solidariedade à indígena Marlene, estuprada por oito homens a mando de fazendeiros. Noel dos Santos, indígena Galibi Marworno fez pintura corporal em diversos participantes.

Foram projetadas imagens do filme “Terra Vermelha”, que chamou a atenção pelas cenas fortes, e que foi exibido no dia seguinte em sessão do MIS, no Teatro das Bacabeiras.  Após a rodada de falas, foi feita a leitura da carta aberta da sociedade amapaense à Presidência da República, Casa Civil e Ministério da Justiça.

O fotógrafo Clive Gavin Andrews registrou alguns momentos do ato, que foi divulgado em programa televisivo local, do apresentador Olimpio Guarany (TV Tucuju) e noticiado no jornal A Gazeta. O evento foi encerrado com um momento emocionante, no qual os participantes formaram uma grande roda em homenagem e apoio à luta dos Guarani Kaiowá.

Carta aberta da sociedade amapaense sobre a situação dos indígenas Guarani Kaiowá

À Presidência da República

Casa Civil

Ministério da Justiça

A ampla divulgação da carta-manifesto escrita pela comunidade Guarani Kaiowá da aldeia Pyelito Kue, em Iguatemi, Mato Grosso do Sul, provocou a opinião pública nacional de maneira veemente. Campanhas, atos e manifestações de solidariedade encabeçadas pelos mais diversos segmentos puderam ser observadas em todo o país nas últimas semanas, sem que houvesse qualquer repercussão na mídia televisiva sobre as mesmas e sobre a situação inaceitável enfrentada pelos Guarani Kaiowá, ameaçados de serem expulsos de suas tekoha, terras sagradas ocupadas desde tempos imemoriais.

No Estado do Amapá, onde a população de mais de 10.000 indígenas de grupos diversos enfrenta problemas de outras ordens, apesar de ter suas terras demarcadas e homologadas, onde nunca antes se viu mobilização social de tamanha magnitude em prol da causa indígena, surpreendeu positivamente a comoção e envolvimento de mais de mais de 500 pessoas que confirmaram presença na versão macapaense do Ato Nacional em solidariedade ao povo Guarani Kaiowá. Foi imediata a adesão e manifestação de apoio de diversas organizações, coletivos, centros acadêmicos, movimentos sociais e de pessoas da sociedade civil que se mostraram interessadas em fazer a sua parte, exigindo do poder público que quite a monstruosa dívida histórica que o Brasil tem com este povo indígena e tantos outros, e que aja para fazer cessar imediatamente os assassinatos, atos de violência e racismo cometidos contra homens, mulheres e crianças Guarani Kaiowá pelos defensores inescrupulosos do agronegócio.

Reunidos nesta data, nós, cidadãos amapaenses abaixo-assinados entendemos que a conivência genocida do poder público com essa situação corrobora com medidas violadoras de direitos, como a inconstitucional portaria 303 da AGU, que conforme já exposto em carta aberta pelos Povos Indígenas de Oiapoque, Amapá, coloca-se como a ameaça mais grave já manifesta aos direitos indígenas sobre a terra, garantidos pela Constituição Federal e por acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Entendemos ainda que a única solução para este conflito repousa na demarcação e homologação imediatas das terras reivindicadas pelos Guarani e Kaiowá e exigimos empenho do poder público na priorização deste processo, sem que para isso haja prejuízo aos direitos conquistados pelos povos indígenas no Brasil.

Macapá, 09 de novembro de 2012.

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