Organizações da RCA manifestam-se contra projeto de mineração em TIs

A Rede de Cooperação Alternativa – RCA, que reúne 10 organizações indígenas e indigenistas, entre elas o Iepé, divulgou uma nota pública em que se manifesta contra a aprovação do relatório do Deputado Édio Lopes (PMDB-RR) sobre o projeto de lei que regulamenta a mineração em Terras Indígenas.

A nota critica o texto preparado pelo relator por ter ignorado as posições sobre o assunto construídas numa série de consultas aos povos indígenas que resultou na proposta de Estatuto dos Povos Indígenas de autoria da Comissão Nacional de Política Indigenista, bem como o fato de o relatório ter sido elaborado sem consulta às organizações indígenas, conforme determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT.

Apresentado pelo Senador Romero Jucá, o projeto de mineração em Terras Indígenas, está tramitando numa comissão especial da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado na Comissão, não precisa ir ao plenário da casa, voltando para o Senado.  A Deputada Janete Capiberibe afirmou em encontro promovido pelo Iepé com representantes dos povos e organizações indígenas do Amapá e norte do Pará que solicitou uma audiência pública para ocorrer no Amapá, de modo que a Comissão possa ouvir as lideranças indígenas da região. Porém, até o momento, a audiência não foi aprovada pela Comissão. O Deputado Lopes colocou o texto na internet, para receber sugestões até o dia 24 de outubro.

Leia a nota pública da RCA:

 


Nota pública da RCA sobre o Projeto de Lei de Mineração em Terras Indígenas (PL 1610 /96)

As organizações indígenas e indigenistas que compõem a Rede de Cooperação Alternativa – RCA reunidas em Boa Vista, Roraima entre os dias 21 e 22 de outubro de 2012, vêm a público manifestar-se contra a aprovação do relatório da Comissão Especial de Mineração em Terras Indígenas, em razão de:

1. A Comissão não ter realizado consultas aos povos indígenas por meio de suas organizações representativas e mediante procedimentos adequados, conforme determina a Convenção 169 da OIT, para o caso de elaboração de medidas legislativas que os afetem diretamente. Consultas pela internet, audiências públicas com a participação de algumas lideranças indígenas e seminários informativos não são processos de consulta.

2. O relatório da Comissão não respeitar o que está disposto na Constituição Federal, nos artigos 176 e 231, especificamente no que se refere à manifestação do interesse nacional e à oitiva aos povos indígenas na exploração mineral em Terra Indígena, permitindo a mineração em qualquer situação e;

3. A Comissão ter ignorado as discussões sobre o tema ocorridas em vários seminários regionais e nacionais, que resultaram no Título VI, Capitulo I, da Proposta para o Estatuto dos Povos Indígenas, discutida e aprovada no âmbito da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) em 2010;

E, portanto, reivindicam:

1. Que o Congresso Nacional avance na aprovação do Projeto de Lei do Estatuto dos Povos Indígenas (PL 2057/91), que regulamenta o tema, em tramitação há mais de 20 anos.

2. Que o Congresso Nacional desenvolva mecanismos adequados para o cumprimento da obrigação de consultar os povos indígenas sobre medidas legislativas que os afetem diretamente, conforme o estabelecido na Convenção 169 da OIT.

Roraima, 22 de outubro de 2012.

Associação Terra Indígena Xingu – Atix
Associação Wyty-Catë dos Povos Timbira do MA e TO
Centro de Trabalho Indigenista – CTI
Comissão Pró-Índio do Acre – CPI-AC
Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina
Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro – Foirn
Hutukara Associação Yanomami – HAY
Instituto de Pesquisa e Formação Indígena – Iepé
Instituto Socioambiental – ISA
Organização dos Professores Indígenas do Acre – Opiac

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