Iepé é o termo tradicionamente utilizado pelos grupos indígenas das Guianas para designar o amigo e parceiro de troca nas complexas redes de intercâmbio que esses grupos mantêm entre si.

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Programa Wajãpi - Linhas de trabalho e atividades em andamento
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Programa Wajãpi
Objetivos
Linha de trabalho e atividades
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Linhas de trabalho e atividades em andamento

  • Programas de formação de jovens e adultos

Formação de Professores

Este programa de formação foi iniciado em 1992 e conta atualmente com duas turmas em processo de formação, num total de 30 participantes, sendo que os integrantes da primeira turma já trabalham há vários anos como professores das escolas da terra indígena, devendo concluir sua formação em nível médio em 2005. Os jovens da segunda turma iniciaram sua formação mais recentemente, em 2002, e por enquanto apenas começaram a atuar como monitores, auxiliando os professores wajãpi mais experientes.

O programa de formação desenvolve-se em etapas presenciais (dois módulos anuais de cerca de um mês de duração) e não presenciais (estágio supervisionado, através de acompanhamento pedagógico às escolas, e desenvolvimento de pesquisas sob orientação dos formadores), e tem como objetivo desenvolver as habilidades dos professores wajãpi não apenas enquanto transmissores, mas também como produtores e sistematizadores de conhecimentos.

Entre 1994 e 2002, este programa foi financiado quase que exclusivamente pela Fundação Mata Virgem da Noruega (que atualmente ainda dá suporte a sua coordenação) e recebeu apoios pontuais da Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena do Ministério da Educação (CGEEI/MEC) e da Secretaria de Estado da Educação do Amapá (SEED/GEA). Desde 2002, a maior parte das atividades do Magistério Wajãpi, inclusive o início da formação da segunda turma de professores, passou a ser financiada pela SEED, através de convênio firmado com o Centro de Trabalho Indigenista (que abrigou o Programa Wajãpi até 2002) e posteriormente com o Iepé. A CGEEI/MEC continua apoiando o programa, que recentemente também teve algumas atividades apoiadas pelo Setor de Educação da FUNAI.

Formação Básica para Agentes de Saúde

Fruto de uma parceria entre o Programa de Educação e o Programa de Saúde Wajãpi (PSW), este programa vem sendo desenvolvido desde 1998, de forma complementar à formação técnica dos Wajãpi na área de saúde, e corresponde à complementação da escolarização básica dos 24 jovens escolhidos por suas comunidades para trabalhar seja como agentes de saúde propriamente ditos, seja como laboratoristas ou agentes de saneamento.

Inicialmente concentrada nas áreas de conhecimentos matemáticos e de Língua Portuguesa, mais necessários como pré-requisitos à formação técnica em Saúde, recentemente esta formação passou a incluir as demais áreas de conhecimento abrangidas no Ensino Básico, abordadas de acordo com a perspectiva da proposta curricular específica e diferenciada que vem sendo construída para a Escola Wajãpi.

Ao longo dos anos, os módulos deste programa de formação foram realizados com apoio da Fundação Mata Virgem da Noruega, do Ministério da Saúde (MS) e da Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (SESA/GEA).

Formação em Gestão

O programa inclui estágios supervisionados no escritório do Conselho das Aldeias Wajãpi em Macapá, cursos de Introdução à Administração e de Legislação e oficinas comunitárias para a socialização de informações e fomento à participação em processos decisórios, realizadas nas aldeias da Terra Indígena Wajãpi. Conta com a participação de 25 jovens e adultos indicados por suas comunidades, inclusive aqueles eleitos para compor a diretoria do Conselho das Aldeias Wajãpi - Apina.

O programa de estágios é desenvolvido através de um sistema de rodízio para a permanência dos membros da diretoria e de seus auxiliares em Macapá, que permite que os dirigentes do Conselho desempenhem as funções para as quais foram eleitos sem ser obrigados a transferir-se definitiva ou prolongadamente para a cidade.

Os primeiros cursos deste programa foram realizados no final de 1999, como parte do Projeto de Educação financiado pela Fundação Mata Virgem da Noruega. Esta instituição parceira financia o programa até hoje, mas agora através de um projeto específico. Ao longo de sua implementação, o programa também foi apoiado por outras agências interessadas em promover a participação ativa dos Wajãpi nos projetos que financiavam, como foi o caso do PPTAL/FUNAI e é atualmente o do Ministério do Meio Ambiente, através dos Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI/MMA).

Formação de Pesquisadores

Foi iniciada como atividade complementar à formação de professores, mas a partir do primeiro semestre de 2005 deve ser expandida para uma nova turma de 20 jovens, interessados especificamente em contribuir com o levantamento, revitalização e divulgação do patrimônio imaterial representado pelas formas tradicionais de expressão e transmissão de conhecimentos dos Wajãpi. O programa deve ser desenvolvido através de cursos, oficinas e encontros de pesquisadores, com apoio da Petrobrás Cultural e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura (IPHAN/MinC), e será uma etapa importante da implementação do "Plano integrado de valorização dos conhecimentos tradicionais para o desenvolvimento socioambiental sustentável da comunidade indígena Wajãpi do Amapá", aprovado pela UNESCO no contexto do reconhecimento das formas de expressão oral associadas aos grafismos kusiwa como patrimônio imaterial da humanidade, ocorrido em 2003.

  • Apoio à implementação de uma educação escolar diferenciada

Proposta curricular para as escolas wajãpi

A assessoria aos professores wajãpi para a elaboração de uma proposta curricular específica e diferenciada para as escolas de suas aldeias vem sendo desenvolvida como parte da formação da primeira turma do Magistério Wajãpi. Um dos objetivos deste programa de formação é justamente apoiar a construção de uma proposta pedagógica de autoria indígena, que seja adequada tanto à incorporação da língua e de conhecimentos dos Wajãpi aos conteúdos trabalhados em contexto escolar, quanto à seleção e ao ensino de conhecimentos "de fora" a partir de suas próprias categorias cognitivas e interesses.

Durante as sucessivas etapas do curso, os professores da primeira turma, assessorados por seus formadores, vêm gradualmente formulando os princípios gerais do projeto político-pedagógico que estrutura o currículo, bem como os conteúdos e etapas de cada uma das disciplinas constitutivas dos primeiros ciclos do Ensino Fundamental. Como fruto deste trabalho, ao final de sua formação estes professores devem elaborar coletivamente um documento de apresentação da proposta curricular das escolas wajãpi, com vistas a seu reconhecimento por parte do Conselho Estadual de Educação do Amapá.

Materiais didáticos diferenciados

A produção de materiais didáticos também é desenvolvida como parte da formação de professores, através da realização de oficinas em que os próprios professores wajãpi elaboram coletivamente a estrutura, os textos e exercícios dos materiais que utilizarão para ensinar seus alunos. Com exceção dos materiais para ensino de Matemática e Língua Portuguesa, todos os demais são produzidos em Língua Wajãpi. Este trabalho vem sendo desenvolvido nos módulos da disciplina Metodologia de Ensino de Línguas e nas aulas reservadas à discussão de questões relacionadas à prática de ensino das demais disciplinas.

Além de ser um importante veículo para a utilização da língua indígena e para a introdução de conteúdos diferenciados no currículo escolar, esses materiais produzidos pelos professores wajãpi com orientação de seus formadores são também instrumentos importantes para desenvolver o planejamento e a metodologia de ensino dos próprios professores.

Até o presente, o Programa Wajãpi já editou 28 títulos de uso educativo diversificado, em apoio a seus programas de formação, sendo a maioria deles de pequenas tiragens, obtidas através de reprodução xerográfica (ver a lista completa dos materiais em anexo). Os materiais produzidos e utilizados pelos professores wajãpi especificamente para o ensino de seus alunos nos primeiros anos de escolarização chegam atualmente a nove, sendo que já há novos títulos programados ou em fase inicial de elaboração.

Gestão comunitária das escolas

O Iepé vem apoiando a gestão comunitária das escolas da Terra Indígena Wajãpi ao assessorar os professores e comunidades wajãpi no desenvolvimento e implementação de normas de funcionamento diferenciadas para suas escolas, visando adequar a instituição escolar à realidade sócio-cultural indígena. Este trabalho vem sendo feito em diálogo com a Secretaria de Estado da Educação do Amapá, que vem assumindo uma postura bastante receptiva ao processo, pautando-se pela resolução no 068/O2 do Conselho Estadual de Educação do Amapá, que reconhece as escolas indígenas como estabelecimentos de ensino com normas e ordenamento jurídico próprios.

O Iepé também auxilia os professores wajãpi na gestão dos recursos repassados pela Secretaria de Educação para a compra de material escolar e a manutenção das escolas da Terra Indígena Wajãpi.

  • Apoio à gestão territorial e ambiental da T. I. Wajãpi

Monitoramento ambiental de novas áreas de ocupação

As novas aldeias instaladas pelos Wajãpi nas regiões próximas aos limites de sua terra vêm tendo sua situação ambiental acompanhada através de visitas periódicas do coordenador técnico do projeto "Apoio à Descentralização das Aldeias Wajãpi" (Apina/Iepé/PDPI-MMA), com o objetivo de auxiliar os ocupantes de novas áreas a identificar, resolver e prevenir o aparecimento de problemas ambientais.
Com este monitoramento, espera-se contribuir para que, tal como desejam, os Wajãpi efetivamente recuperem e mantenham sua qualidade de vida, que vinha sendo prejudicada pelo esgotamento de recursos naturais nas aldeias de ocupação mais antiga.

Capacitação para o manejo de recursos naturais

Como parte do projeto de "Apoio à Descentralização das Aldeias Wajãpi" (Apina/Iepé/PDPI-MMA), especialistas de diversas áreas das ciências ambientais coordenam oficinas sobre temas específicos, como fauna ou pragas agrícolas, visando contribuir à capacitação dos Wajãpi para o monitoramento dos recursos ambientais de seu território. As oficinas do projeto têm como público preferencial as comunidades que estão se instalando nas novas aldeias nos limites da Terra Indígena Wajãpi, visando a sustentabilidade futura desses novos assentamentos..

  • Valorização do patrimônio cultural wajãpi

Capacitação em produção áudio-visual

Através de oficinas de periodicidade variável, um grupo de 15 jovens e adultos está sendo capacitado a atuar como cinegrafistas e técnicos de som ou na direção de documentários. Alguns materiais experimentais produzidos nas oficinas já circulam pelas aldeias, e outros estão em fase de finalização. Essa capacitação vem sendo realizada com assessoria da equipe da Anthares Produções desde 2000, e será incrementada nos próximos anos com apoio da Petrobrás Cultural, visando o registro áudio-visual das formas de expressão gráficas e orais dos Wajãpi.

"Plano integrado de valorização dos conhecimentos tradicionais para o desenvolvimento sócio-ambiental sustentável da comunidade indígena Wajãpi do Amapá"

Este plano, aprovado pela UNESCO no contexto do registro das manifestações culturais dos Wajãpi como patrimônio imaterial da humanidade, terá boa parte de suas ações executadas pelo Programa Wajãpi/Iepé, em parceria com o Conselho das Aldeias Wajâpi - Apina, que já vêm desenvolvendo conjuntamente algumas de suas linhas de ação. Em associação ao Museu do Índio/FUNAI, ao Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo e ao Núcleo de Educação Indígena da Secretaria de Educação do Governo do Estado do Amapá, o Apina comporá um conselho consultivo que deverá sugerir, supervisionar e apoiar todas as ações.

O plano compõe-se de um conjunto de ações voltadas para o público externo - especialmente aos múltiplos agentes que trabalham com comunidades indígenas da Amazônia - e de ações voltadas à revitalização interna das formas de expressão gráfica e oral praticadas pelos Wajãpi. Em sua componente externa, as principais ações previstas são as seguintes:

  • Campanhas de sensibilização e de informação locais e nacionais;
  • Sistematização de dados etnográficos e lingüísticos existentes, assim como a organização de arquivos audiovisuais existentes pelas instituições concernidas;
  • Difusão do patrimônio imaterial dos Wajãpi do Amapá e de outros grupos indígenas brasileiros.

Já as atividades previstas para garantir a revitalização interna das formas tradicionais de produção e transmissão de conhecimento podem ser assim resumidas:

  • Diagnóstico permanente do processo de revitalização da cultura oral dos Wajãpi do Amapá;
  • Continuidade das atividades de formação de professores, agentes de saúde, documentaristas, cinegrafistas e pesquisadores wajãpi;
  • Continuidade da implantação de um plano de gestão de recursos naturais do território dos Wajãpi do Amapá fundamentado na valorização do conhecimento e de formas de utilização tradicionais;
  • Realização, pelos pesquisadores e documentaristas wajãpi, em formação e com assistência da equipe cientifica e técnica, de inventários das formas de expressão tradicionais, assim como dos saberes complementares e da enunciação dessas formas de expressão culturais;
  • Implantação de um Centro de Documentação e Formação dos Wajãpi do Amapá.

A partir do segundo semestre de 2004, tais atividades devem passar a receber apoio financeiro do Ministério da Cultura, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e da Petrobrás Cultural.

Publicações e vídeos de divulgação

Com apoio de diversos parceiros, o Programa Wajãpi vem promovendo oficinas, levantamentos e pesquisas para a produção de livros e vídeos de divulgação sobre conhecimentos e técnicas dos Wajãpi, como sua cultura material, seus padrões gráficos, suas técnicas arquitetônicas, etc. Nos últimos anos, como resultado desse trabalho, foram publicados os seguintes livros:

  • Livro do Artesanato Wajãpi (Apina / CTI / MEC,1999)
  • Catálogo do Artesanato Wajãpi (Apina / GEA, 2000).
  • Kusiwa: pintura corporal e arte gráfica Wajãpi (Apina / CTI/ Museu do Indio - FUNAI / NHII -USP, 2002)
  • Wajãpi rena: casas, pátios e aldeias (Apina / CTI / Museu do Índio - FUNAI, 2002).
  • Assessoria ao Conselho das Aldeias Wajãpi / Apina

Apoio à gestão de projetos e convênios do Apina

A equipe do Programa Wajãpi - constituída de antropólogos, educadores, lingüistas, biólogos e administradores, vem assessorando diretamente o Conselho das Aldeias Wajãpi - Apina, na implementação e gestão de convênios e projetos assumidos pela organização nos últimos anos. Em especial, essa assessoria vem sendo desenvolvida através dos estágios do Programa de Formação em Gestão, em que o aprendizado dos Wajãpi é conjugado à prática concreta da execução e/ou acompanhamento de projetos e convênios.

Entre os projetos e convênios atualmente sob responsabilidade do Apina, destacam-se o "Programa de Saúde Wajãpi" e o "Projeto de Apoio à Descentralização das Aldeias Wajãpi".

A equipe também assessora os Wajãpi em pequenos projetos de fortalecimento institucional do Apina, especialmente no que toca à gestão de um fundo para a comercialização de artesanato e à manutenção da casa de apoio aos Wajãpi em Macapá, atividades que contaram, ao longo dos últimos anos, com apoio da APC/GEA (Agência de Promoção da Cidadania do Governo do Estado do Amapá, antiga Agência de Mobilização Social e Projetos Especiais - AGEMP).

Projeto "Apoio à descentralização das aldeias wajãpi"

Esse projeto, financiado pela linha de Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas do Ministério do Meio Ambiente, é desenvolvido desde o início de 2004 pelo Apina, com assessoria administrativa e ambiental do Iepé. Sob a orientação do coordenador do Programa de Formação em Gestão, os estagiários desse programa participam de todas as atividades relacionadas à execução do projeto, fazendo levantamento de preços dos equipamentos, orçamentos, compras, coordenando e informando os coordenadores de área sobre o cronograma de execução, enviando equipamentos para serem instalados nas aldeias, contratando fretes, comprando combustível e acompanhando a prestação de contas, além de confeccionar relatórios, fazer serviços bancário, etc.



 

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