Iepé é o termo tradicionamente utilizado pelos grupos indígenas das Guianas para designar o amigo e parceiro de troca nas complexas redes de intercâmbio que esses grupos mantêm entre si.

Saiba mais...
Principal Programas de trabalho Wajãpi Programa Wajãpi
Programa Wajãpi
Índice do Artigo
Programa Wajãpi
Objetivos
Linha de trabalho e atividades
Antecedentes
Equipe do PW
Materiais publicados
Todas as Páginas

Este programa, iniciado em 1992, foi um dos núcleos que deu origem ao Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena em novembro de 2002. Voltado à formação comunitária dos cerca de 650 Wajãpi que vivem na região do rio Amapari, no Amapá, o programa articula uma série de ações e projetos nas áreas de educação escolar, educação em saúde, controle territorial e ambiental, apoio à auto-gestão, fortalecimento político e valorização do patrimônio cultural indígena.

Em seus primeiros anos de existência, o Programa Wajãpi apoiou a formação do Conselho das Aldeias Wajãpi - Apina, constituído pelos chefes de todos os grupos locais que atualmente convivem na Terra Indígena Wajãpi, e desde então o programa vem sendo desenvolvido em parceria com esta organização indígena.

Entre os principais resultados alcançados ao longo de sua existência, destacam-se a demarcação e permanente fiscalização da terra wajãpi, a formação progressiva de professores e agentes de saúde indígenas e a consolidação do padrão tradicional de ocupação territorial dos Wajãpi, que é fator decisivo para a manutenção de sua qualidade de vida e para a conservação ambiental de seu território.

Nos últimos anos o Programa Wajãpi contou com o apoio de diversos parceiros importantes, como a Fundação Mata Virgem da Noruega (RFN), o Projeto Integrado de Apoio às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal da Fundação Nacional do Índio (PPTAL/FUNAI), a Cooperação Técnica Alemã (GTZ), a Secretaria de Estado de Educação do Governo do Estado do Amapá (SEED/GEA), a Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena do Ministério da Educação (CGEEI/MEC), o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Museu do Índio/FUNAI e o Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e Norte do Pará (DISEI/AP), entre outros.


Objetivos

O Programa Wajãpi visa proporcionar apoio direto às iniciativas dos Wajãpi para o controle territorial e ambiental de sua terra, assim como incrementar sua capacidade de gestão de alternativas de desenvolvimento adequadas à sua realidade. As atividades de educação e de valorização cultural, voltadas principalmente à formação de jovens e adultos, têm também como meta o fortalecimento de sua capacidade de atuar em defesa dos interesses de suas comunidades, contribuindo assim para a auto-determinação de seu povo.

Nas diferentes áreas temáticas abrangidas pelo Programa Wajãpi as atividades desenvolvidas visam ajudar os Wajãpi a:

  • Manter sua qualidade de vida - que depende de sua mobilidade territorial - nos termos definidos pelas próprias comunidades, minimizando os impactos negativos de sua atual dependência em relação à assistência e à necessidade de aquisição de mercadorias já incorporadas em seu cotidiano.
  • Melhorar sua organização interna e capacidade de tomada de decisões coletivas, envolvendo as diferentes comunidades e facções wajãpi. Aumentar, assim, sua capacidade de manter permanente controle social sobre as ações de assistência realizadas por diversas agências governamentais ou não-governamentais.
  • Capacitar-se para novas demandas, seja em termos da aquisição de conhecimentos técnicos que lhes permitam executar e/ou acompanhar projetos que lhes digam respeito, seja através da consolidação dos canais de diálogo interno entre os diversos grupos e gerações wajãpi e do fortalecimento de suas instâncias de organização coletiva.
  • Entender, distinguir e saber se relacionar com os diversos interesses que agentes da sociedade nacional e internacional têm sobre eles e sobre seu território.

Procedimentos

  • Acreditamos que o sucesso que vem sendo alcançado no cumprimento dos objetivos e metas do Programa Wajãpi deve-se essencialmente a alguns princípios básicos que orientam nossa atuação:
  • Basear a assessoria e os programas de formação no diálogo permanente com as comunidades e em pesquisas que garantam um sólido conhecimento da realidade social, cultural e histórica dos Wajãpi;
  • Promover a intensa participação dos índios na definição dos objetivos, metas e atividades do Programa, bem como em sua execução e constante avaliação;
  • Manter o foco na formação comunitária, estimulando a criação de instâncias diversificadas para o repasse interno de informações e conhecimentos, bem como para a democratização da tomada de decisões referentes a questões de interesse coletivo dos Wajãpi.

Linhas de trabalho e atividades em andamento

  • Programas de formação de jovens e adultos

Formação de Professores

Este programa de formação foi iniciado em 1992 e conta atualmente com duas turmas em processo de formação, num total de 30 participantes, sendo que os integrantes da primeira turma já trabalham há vários anos como professores das escolas da terra indígena, devendo concluir sua formação em nível médio em 2005. Os jovens da segunda turma iniciaram sua formação mais recentemente, em 2002, e por enquanto apenas começaram a atuar como monitores, auxiliando os professores wajãpi mais experientes.

O programa de formação desenvolve-se em etapas presenciais (dois módulos anuais de cerca de um mês de duração) e não presenciais (estágio supervisionado, através de acompanhamento pedagógico às escolas, e desenvolvimento de pesquisas sob orientação dos formadores), e tem como objetivo desenvolver as habilidades dos professores wajãpi não apenas enquanto transmissores, mas também como produtores e sistematizadores de conhecimentos.

Entre 1994 e 2002, este programa foi financiado quase que exclusivamente pela Fundação Mata Virgem da Noruega (que atualmente ainda dá suporte a sua coordenação) e recebeu apoios pontuais da Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena do Ministério da Educação (CGEEI/MEC) e da Secretaria de Estado da Educação do Amapá (SEED/GEA). Desde 2002, a maior parte das atividades do Magistério Wajãpi, inclusive o início da formação da segunda turma de professores, passou a ser financiada pela SEED, através de convênio firmado com o Centro de Trabalho Indigenista (que abrigou o Programa Wajãpi até 2002) e posteriormente com o Iepé. A CGEEI/MEC continua apoiando o programa, que recentemente também teve algumas atividades apoiadas pelo Setor de Educação da FUNAI.

Formação Básica para Agentes de Saúde

Fruto de uma parceria entre o Programa de Educação e o Programa de Saúde Wajãpi (PSW), este programa vem sendo desenvolvido desde 1998, de forma complementar à formação técnica dos Wajãpi na área de saúde, e corresponde à complementação da escolarização básica dos 24 jovens escolhidos por suas comunidades para trabalhar seja como agentes de saúde propriamente ditos, seja como laboratoristas ou agentes de saneamento.

Inicialmente concentrada nas áreas de conhecimentos matemáticos e de Língua Portuguesa, mais necessários como pré-requisitos à formação técnica em Saúde, recentemente esta formação passou a incluir as demais áreas de conhecimento abrangidas no Ensino Básico, abordadas de acordo com a perspectiva da proposta curricular específica e diferenciada que vem sendo construída para a Escola Wajãpi.

Ao longo dos anos, os módulos deste programa de formação foram realizados com apoio da Fundação Mata Virgem da Noruega, do Ministério da Saúde (MS) e da Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (SESA/GEA).

Formação em Gestão

O programa inclui estágios supervisionados no escritório do Conselho das Aldeias Wajãpi em Macapá, cursos de Introdução à Administração e de Legislação e oficinas comunitárias para a socialização de informações e fomento à participação em processos decisórios, realizadas nas aldeias da Terra Indígena Wajãpi. Conta com a participação de 25 jovens e adultos indicados por suas comunidades, inclusive aqueles eleitos para compor a diretoria do Conselho das Aldeias Wajãpi - Apina.

O programa de estágios é desenvolvido através de um sistema de rodízio para a permanência dos membros da diretoria e de seus auxiliares em Macapá, que permite que os dirigentes do Conselho desempenhem as funções para as quais foram eleitos sem ser obrigados a transferir-se definitiva ou prolongadamente para a cidade.

Os primeiros cursos deste programa foram realizados no final de 1999, como parte do Projeto de Educação financiado pela Fundação Mata Virgem da Noruega. Esta instituição parceira financia o programa até hoje, mas agora através de um projeto específico. Ao longo de sua implementação, o programa também foi apoiado por outras agências interessadas em promover a participação ativa dos Wajãpi nos projetos que financiavam, como foi o caso do PPTAL/FUNAI e é atualmente o do Ministério do Meio Ambiente, através dos Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI/MMA).

Formação de Pesquisadores

Foi iniciada como atividade complementar à formação de professores, mas a partir do primeiro semestre de 2005 deve ser expandida para uma nova turma de 20 jovens, interessados especificamente em contribuir com o levantamento, revitalização e divulgação do patrimônio imaterial representado pelas formas tradicionais de expressão e transmissão de conhecimentos dos Wajãpi. O programa deve ser desenvolvido através de cursos, oficinas e encontros de pesquisadores, com apoio da Petrobrás Cultural e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura (IPHAN/MinC), e será uma etapa importante da implementação do "Plano integrado de valorização dos conhecimentos tradicionais para o desenvolvimento socioambiental sustentável da comunidade indígena Wajãpi do Amapá", aprovado pela UNESCO no contexto do reconhecimento das formas de expressão oral associadas aos grafismos kusiwa como patrimônio imaterial da humanidade, ocorrido em 2003.

  • Apoio à implementação de uma educação escolar diferenciada

Proposta curricular para as escolas wajãpi

A assessoria aos professores wajãpi para a elaboração de uma proposta curricular específica e diferenciada para as escolas de suas aldeias vem sendo desenvolvida como parte da formação da primeira turma do Magistério Wajãpi. Um dos objetivos deste programa de formação é justamente apoiar a construção de uma proposta pedagógica de autoria indígena, que seja adequada tanto à incorporação da língua e de conhecimentos dos Wajãpi aos conteúdos trabalhados em contexto escolar, quanto à seleção e ao ensino de conhecimentos "de fora" a partir de suas próprias categorias cognitivas e interesses.

Durante as sucessivas etapas do curso, os professores da primeira turma, assessorados por seus formadores, vêm gradualmente formulando os princípios gerais do projeto político-pedagógico que estrutura o currículo, bem como os conteúdos e etapas de cada uma das disciplinas constitutivas dos primeiros ciclos do Ensino Fundamental. Como fruto deste trabalho, ao final de sua formação estes professores devem elaborar coletivamente um documento de apresentação da proposta curricular das escolas wajãpi, com vistas a seu reconhecimento por parte do Conselho Estadual de Educação do Amapá.

Materiais didáticos diferenciados

A produção de materiais didáticos também é desenvolvida como parte da formação de professores, através da realização de oficinas em que os próprios professores wajãpi elaboram coletivamente a estrutura, os textos e exercícios dos materiais que utilizarão para ensinar seus alunos. Com exceção dos materiais para ensino de Matemática e Língua Portuguesa, todos os demais são produzidos em Língua Wajãpi. Este trabalho vem sendo desenvolvido nos módulos da disciplina Metodologia de Ensino de Línguas e nas aulas reservadas à discussão de questões relacionadas à prática de ensino das demais disciplinas.

Além de ser um importante veículo para a utilização da língua indígena e para a introdução de conteúdos diferenciados no currículo escolar, esses materiais produzidos pelos professores wajãpi com orientação de seus formadores são também instrumentos importantes para desenvolver o planejamento e a metodologia de ensino dos próprios professores.

Até o presente, o Programa Wajãpi já editou 28 títulos de uso educativo diversificado, em apoio a seus programas de formação, sendo a maioria deles de pequenas tiragens, obtidas através de reprodução xerográfica (ver a lista completa dos materiais em anexo). Os materiais produzidos e utilizados pelos professores wajãpi especificamente para o ensino de seus alunos nos primeiros anos de escolarização chegam atualmente a nove, sendo que já há novos títulos programados ou em fase inicial de elaboração.

Gestão comunitária das escolas

O Iepé vem apoiando a gestão comunitária das escolas da Terra Indígena Wajãpi ao assessorar os professores e comunidades wajãpi no desenvolvimento e implementação de normas de funcionamento diferenciadas para suas escolas, visando adequar a instituição escolar à realidade sócio-cultural indígena. Este trabalho vem sendo feito em diálogo com a Secretaria de Estado da Educação do Amapá, que vem assumindo uma postura bastante receptiva ao processo, pautando-se pela resolução no 068/O2 do Conselho Estadual de Educação do Amapá, que reconhece as escolas indígenas como estabelecimentos de ensino com normas e ordenamento jurídico próprios.

O Iepé também auxilia os professores wajãpi na gestão dos recursos repassados pela Secretaria de Educação para a compra de material escolar e a manutenção das escolas da Terra Indígena Wajãpi.

  • Apoio à gestão territorial e ambiental da T. I. Wajãpi

Monitoramento ambiental de novas áreas de ocupação

As novas aldeias instaladas pelos Wajãpi nas regiões próximas aos limites de sua terra vêm tendo sua situação ambiental acompanhada através de visitas periódicas do coordenador técnico do projeto "Apoio à Descentralização das Aldeias Wajãpi" (Apina/Iepé/PDPI-MMA), com o objetivo de auxiliar os ocupantes de novas áreas a identificar, resolver e prevenir o aparecimento de problemas ambientais.
Com este monitoramento, espera-se contribuir para que, tal como desejam, os Wajãpi efetivamente recuperem e mantenham sua qualidade de vida, que vinha sendo prejudicada pelo esgotamento de recursos naturais nas aldeias de ocupação mais antiga.

Capacitação para o manejo de recursos naturais

Como parte do projeto de "Apoio à Descentralização das Aldeias Wajãpi" (Apina/Iepé/PDPI-MMA), especialistas de diversas áreas das ciências ambientais coordenam oficinas sobre temas específicos, como fauna ou pragas agrícolas, visando contribuir à capacitação dos Wajãpi para o monitoramento dos recursos ambientais de seu território. As oficinas do projeto têm como público preferencial as comunidades que estão se instalando nas novas aldeias nos limites da Terra Indígena Wajãpi, visando a sustentabilidade futura desses novos assentamentos..

  • Valorização do patrimônio cultural wajãpi

Capacitação em produção áudio-visual

Através de oficinas de periodicidade variável, um grupo de 15 jovens e adultos está sendo capacitado a atuar como cinegrafistas e técnicos de som ou na direção de documentários. Alguns materiais experimentais produzidos nas oficinas já circulam pelas aldeias, e outros estão em fase de finalização. Essa capacitação vem sendo realizada com assessoria da equipe da Anthares Produções desde 2000, e será incrementada nos próximos anos com apoio da Petrobrás Cultural, visando o registro áudio-visual das formas de expressão gráficas e orais dos Wajãpi.

"Plano integrado de valorização dos conhecimentos tradicionais para o desenvolvimento sócio-ambiental sustentável da comunidade indígena Wajãpi do Amapá"

Este plano, aprovado pela UNESCO no contexto do registro das manifestações culturais dos Wajãpi como patrimônio imaterial da humanidade, terá boa parte de suas ações executadas pelo Programa Wajãpi/Iepé, em parceria com o Conselho das Aldeias Wajâpi - Apina, que já vêm desenvolvendo conjuntamente algumas de suas linhas de ação. Em associação ao Museu do Índio/FUNAI, ao Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo e ao Núcleo de Educação Indígena da Secretaria de Educação do Governo do Estado do Amapá, o Apina comporá um conselho consultivo que deverá sugerir, supervisionar e apoiar todas as ações.

O plano compõe-se de um conjunto de ações voltadas para o público externo - especialmente aos múltiplos agentes que trabalham com comunidades indígenas da Amazônia - e de ações voltadas à revitalização interna das formas de expressão gráfica e oral praticadas pelos Wajãpi. Em sua componente externa, as principais ações previstas são as seguintes:

  • Campanhas de sensibilização e de informação locais e nacionais;
  • Sistematização de dados etnográficos e lingüísticos existentes, assim como a organização de arquivos audiovisuais existentes pelas instituições concernidas;
  • Difusão do patrimônio imaterial dos Wajãpi do Amapá e de outros grupos indígenas brasileiros.

Já as atividades previstas para garantir a revitalização interna das formas tradicionais de produção e transmissão de conhecimento podem ser assim resumidas:

  • Diagnóstico permanente do processo de revitalização da cultura oral dos Wajãpi do Amapá;
  • Continuidade das atividades de formação de professores, agentes de saúde, documentaristas, cinegrafistas e pesquisadores wajãpi;
  • Continuidade da implantação de um plano de gestão de recursos naturais do território dos Wajãpi do Amapá fundamentado na valorização do conhecimento e de formas de utilização tradicionais;
  • Realização, pelos pesquisadores e documentaristas wajãpi, em formação e com assistência da equipe cientifica e técnica, de inventários das formas de expressão tradicionais, assim como dos saberes complementares e da enunciação dessas formas de expressão culturais;
  • Implantação de um Centro de Documentação e Formação dos Wajãpi do Amapá.

A partir do segundo semestre de 2004, tais atividades devem passar a receber apoio financeiro do Ministério da Cultura, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e da Petrobrás Cultural.

Publicações e vídeos de divulgação

Com apoio de diversos parceiros, o Programa Wajãpi vem promovendo oficinas, levantamentos e pesquisas para a produção de livros e vídeos de divulgação sobre conhecimentos e técnicas dos Wajãpi, como sua cultura material, seus padrões gráficos, suas técnicas arquitetônicas, etc. Nos últimos anos, como resultado desse trabalho, foram publicados os seguintes livros:

  • Livro do Artesanato Wajãpi (Apina / CTI / MEC,1999)
  • Catálogo do Artesanato Wajãpi (Apina / GEA, 2000).
  • Kusiwa: pintura corporal e arte gráfica Wajãpi (Apina / CTI/ Museu do Indio - FUNAI / NHII -USP, 2002)
  • Wajãpi rena: casas, pátios e aldeias (Apina / CTI / Museu do Índio - FUNAI, 2002).
  • Assessoria ao Conselho das Aldeias Wajãpi / Apina

Apoio à gestão de projetos e convênios do Apina

A equipe do Programa Wajãpi - constituída de antropólogos, educadores, lingüistas, biólogos e administradores, vem assessorando diretamente o Conselho das Aldeias Wajãpi - Apina, na implementação e gestão de convênios e projetos assumidos pela organização nos últimos anos. Em especial, essa assessoria vem sendo desenvolvida através dos estágios do Programa de Formação em Gestão, em que o aprendizado dos Wajãpi é conjugado à prática concreta da execução e/ou acompanhamento de projetos e convênios.

Entre os projetos e convênios atualmente sob responsabilidade do Apina, destacam-se o "Programa de Saúde Wajãpi" e o "Projeto de Apoio à Descentralização das Aldeias Wajãpi".

A equipe também assessora os Wajãpi em pequenos projetos de fortalecimento institucional do Apina, especialmente no que toca à gestão de um fundo para a comercialização de artesanato e à manutenção da casa de apoio aos Wajãpi em Macapá, atividades que contaram, ao longo dos últimos anos, com apoio da APC/GEA (Agência de Promoção da Cidadania do Governo do Estado do Amapá, antiga Agência de Mobilização Social e Projetos Especiais - AGEMP).

Projeto "Apoio à descentralização das aldeias wajãpi"

Esse projeto, financiado pela linha de Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas do Ministério do Meio Ambiente, é desenvolvido desde o início de 2004 pelo Apina, com assessoria administrativa e ambiental do Iepé. Sob a orientação do coordenador do Programa de Formação em Gestão, os estagiários desse programa participam de todas as atividades relacionadas à execução do projeto, fazendo levantamento de preços dos equipamentos, orçamentos, compras, coordenando e informando os coordenadores de área sobre o cronograma de execução, enviando equipamentos para serem instalados nas aldeias, contratando fretes, comprando combustível e acompanhando a prestação de contas, além de confeccionar relatórios, fazer serviços bancário, etc.


Antecedentes

O Programa Wajãpi originou-se do trabalho de pesquisa desenvolvido junto a estes índios pela antropóloga Dominique Tilkin Gallois a partir de 1977, e que a levou a assessorar a FUNAI no processo inicial de identificação e delimitação da Terra Indígena Wajãpi. Em conseqüência dessa assessoria, os chefes wajãpi passaram a solicitar seu apoio para enfrentar outros problemas, e assim foram elaborados os primeiros projetos, que encontraram abrigo institucional na ONG Centro de Trabalho Indigenista / CTI.

Entre 1992 e 2002, período em que o Programa Wajãpi foi desenvolvido no âmbito do CTI, diversos projetos e convênios com órgãos públicos garantiram a implementação de suas linhas de trabalho. Entre eles, merecem destaque os seguintes:

  • Controle Territorial, Recuperação de Áreas Degradadas e Garimpagem Manual na Área Indígena Wajãpi – Projeto desenvolvido com apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente, SEMAM, entre 1992 e 1993.
  • Diversificação do Extrativismo Wajãpi – Projeto desenvolvido entre 1993 e 1995, com apoio da Comissão da União Européia, para reordenar atividade de garimpagem aluvionar que os Wajãpi praticavam em zonas antes invadidas por garimpeiros, fomentar a racionalização do extrativismo vegetal destinado à produção de artesanato e consolidar formas de gestão territorial relacionadas à dispersão das aldeias pelo território.
  • Projeto Demarcação Wajãpi - Desenvolvido entre 1993 e 1996 em parceria com a Agência de Cooperação Técnica do Governo Alemão / GTZ e convênio com a FUNAI, representou uma experiência piloto de protagonismo indígena nos processos de demarcação territorial no Brasil.
  • Projeto Educação Wajãpi - Desenvolvido entre 1994 e 2002 com apoio da Fundação Mata Virgem da Noruega, deu continuidade a um programa de formação de professores indígenas e apoio à implantação de escolas diferenciadas nas aldeias da Terra Indígena Wajãpi que havia sido iniciado em 1992, com apoio pontual de diversas instituições. Além das atividades diretamente relacionadas à educação escolar, o projeto viabilizou a realização de diversas atividades de capacitação de jovens e adultos wajãpi, visando oferecer-lhes instrumentos para auxiliar efetivamente suas comunidades a enfrentar com autonomia os novos desafios e demandas colocados pela intensificação de suas relações com a sociedade envolvente. O projeto permitiu a consolidação do Programa de Educação Wajãpi, cujos programas de formação de professores e agentes de saúde continuam sendo desenvolvidos com apoio de outras instituições, como a Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena do MEC, o setor de educação da FUNAI, o Ministério da Saúde e, especialmente, da Secretaria de Estado de Educação do Amapá, que mantém um convênio com o Iepé para garantir a continuidade da formação dos professores wajãpi.
  • Programa de Saúde Wajãpi - Iniciado em 1996 através de uma parceria entre o Conselho das Aldeias Wajãpi, o Centro de Trabalho Indigenista e a Secretaria de Estado de Saúde do Amapá, inicialmente incluía atividades de atenção à saúde em todas as aldeias da Terra Indígena Wajãpi e atividades educativas, inclusive a formação de agentes de saúde indígenas. Com a criação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DISEI) do Amapá e Norte do Pará, em 1999, as ações de atenção à saúde passaram à responsabilidade da Fundação Nacional de Saúde, mas manteve-se uma parceria com a equipe do Programa Wajãpi para o desenvolvimento de programas de formação e capacitação para índios e não índios que atuam no atendimento às comunidades indígenas. Atualmente o Programa de Saúde Wajãpi é desenvolvido através de um convênio firmado entre o Ministério da Saúde e o Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina.
  • Programa de Fiscalização e Vigilância da Terra Indígena Wajãpi - Desenvolvido entre 1999 e 2003, com apoio e parceria do Programa de Proteção das Florestas Tropicais da Amazônia Legal / FUNAI, permitiu a consolidação da autonomia dos Wajãpi nos processos de gestão de seu território, em especial no que diz respeito à ocupação de áreas próximas aos limites da terra indígena, como forma de garantir sua permanente fiscalização.
  • Diagnóstico Ambiental da Terra Indígena Wajãpi - Realizado em 2002, em parceria com o Fundo Nacional de Meio Ambiente / MMA, deu continuidade a um levantamento dos conhecimentos dos Wajãpi a respeito dos ambientes que ocupam, iniciado em 2000 com apoio da Fundação Mata Virgem da Noruega, e permitiu a elaboração pelos próprios índios de um plano de gestão territorial que se encontra atualmente em fase inicial de implementação.
  • Formação em Gestão para os Wajãpi - Teve suas atividades iniciadas em 1999 como parte do Projeto Educação Wajãpi financiado pela Fundação Mata Virgem da Noruega, e a partir de 2003 estruturou-se como um programa autônomo, que inclui atividades de capacitação de jovens e adultos articuladas a uma assessoria permanente ao Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina.

Equipe de formadores do Programa Wajãpi

Desde 1992, quando foram iniciados os programas de formação do Programa Wajãpi, muitos profissionais de diversas áreas e instituições já colaboraram para a formação e capacitação dos Wajãpi. Atualmente, a equipe que vem atuando continuamente na docência dos programas de formação em andamento é composta pelos seguintes profissionais:

  • Dafran Gomes Macário, biólogo, Iepé
  • Dionizio Augusto Bueno de Souza, lingüista
  • Dominique Tilkin Gallois, antropóloga, Departamento de Antropologia da FFLCH/USP e Iepé
  • Fernanda Consone, mestranda em Linguística, FFLCH/USP
  • Helder Rocha de Souza, biólogo, Iepé
  • Igor Scaramuzzi, historiador, Iepé
  • Joana Cabral de Oliveira, mestranda em Antropologia, FFLCH/USP
  • José Pedro Machado Ribeiro, matemático, Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal de Goiás e doutorando da Faculdade de Educação/USP
  • Juliana Rosalen, mestranda em Antropologia, FFLCH/USP
  • Lílian Abram, lingüista, Iepé
  • Lúcia Szmrecsányi, cientista social, Iepé
  • Patrícia de Oliveira Borges e Souza, lingüista
  • Paulo Favacho, historiador, Iepé
  • Silvia Lopes da Silva Macedo Tinoco, doutoranda em Antropologia, École des Hautes Études en Sciences Sociales
  • Sílvia Margarete Cunha, doutoranda em Lingüística, FFLCH/USP
  • Waldemar Ferreira Netto, lingüista, Departamentos de Lingüística e de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH/USP e CTI.

Materiais educativos publicados pelo Programa Wajãpi

    1. Material de Apoio às Escolas Waiãpi - Uso do Dinheiro (1990)
    2. Material de Apoio às Escolas Waiãpi - Exercícios de Matemática (1990)
    3. Cartilha Waiãpi - Alfabetização em Português (1990)
    4. Kusiwa: Exercícios de Coordenação Motora (1990)
    5. Manual do Professor - Cartilha Waiãpi (1991)
    6. Livro dos Mapas - Território Waiãpi – livro bilíngüe de textos e exercícios (1992)
    7. Exercícios de Leitura e Escrita em Matemática 1 (1992)
    8. Exercícios de Leitura e Escrita em Matemática 2 (1992)
    9. Livro de Leitura em Português – Curso dos Professores na Cidade (1992)
    10. Textos de Leitura em Português sobre a Cidade (1993)
    11. O Livro das Tabelas (1993)
    12. Cartilha dos Professores Waiãpi - Alfabetização em Wajãpi (1994)
    13. Cartilha de Matemática Sem Números (1994)
    14. Representantes do Conselho das Aldeias Waiãpi na Semana da Amazônia em Nova que – livro de leitura em Português (1996)
    15. Doenças Respiratórias - livro de textos e exercícios para Agentes de Saúde (1999)
    16. Livro dos bichos – livro de leitura em Português (1999)
    17. Jane Yvy Jimõsã'ãga Gwer Kareta - livro de leitura e exercícios em Wajãpi (1999)
    18. Mijar Rewar Kareta - livro de leitura e exercícios em Wajãpi (1999)
    19. Relatos da Demarcação da Terra Indígena Waiãpi – livro de textos e exercícios em Português (1999)
    20. Livro da I Oficina de Computação - livro de textos e exercícios (1999)
    21. Conversando sobre verminoses – livro de textos em Português (1999)
    22. Verminoses - livro de textos e exercícios para Agentes de Saúde (1999)
    23. Livro do Artesanato Waiãpi – livro de textos em Português (1999)
    24. Jane kwer Kareta re tui upa Okusiwa Kupa - livro de leitura em Wajãpi (2000)
    25. Livro das mulheres – textos e exercícios em Português (2000)
    26. Simo Katu Jane Rena Ypy – livro de leitura e exercícios em Wajãpi (2002)
    27. Começo de Conversa – livro de textos e exercícios em Português (2004)
    28. Janerovijãgwerã kõ Yvy kwer amõ Janerã’ãga Yvy kwerã – Livro de leitura em Wajãpi (2004)
    29. Taa rewarã - livro de leitura em Wajãpi (2005)
    30. Cadernos de pesquisa wajãpi no. 1 – livro de leitura em Português (2005)
    31. Cadernos de pesquisa wajãpi no. 2 – livro de leitura em Português (2005)
    32. Cadernos de pesquisa wajãpi no. 3 – livro de leitura em Português (2005)
    33. Série “Textos de Pesquisa” -12 volumes em Wajãpi, com resultados de pesquisas dos professores (2005)
    34. Cuidados para o controle de pragas da roça – livro de leitura em Português (2005)
    35. Ija ma’e kõ -  livro de leitura em Wajãpi (2006)
    36. Moraita rewarã – livro de leitura em Wajãpi (2006)
    37. Nova Matemática sem Números – cartilha de Matemática em Wajãpi
    38. Wajãpi kõ remi’u’y – waivigwerã ayvukwerã kareta – livro de leitura em Wajãpi (2007)
    39. Temitãgwerã kõ re jimo’ea – livro de leitura em Wajãpi (2007)
    40. Alguns conhecimentos sobre alimentação – livro de leitura em Português (2007)
    41. Alguns conhecimentos sobre agricultura – livro de leitura em Português (2007)
    42. Jane reko mokasia – Fortalecendo a organização social wajãpi – brochura de divulgação em Português (2008)
    43. Jãvi rewarã – livro de leitura em Wajãpi (2008)
    44. Cadernos de pesquisa wajãpi no. 4 (Jane reko re jimoe'a) - livro de leitura em Português (2008)
     

    Escritório São Paulo
    Rua Professor Monjardino, 19 - Vila Sônia
    São Paulo/SP - CEP 05625-160
    Tel/Fax: 11-3746-7912 / 3569-4973 / 3569-4936   
    email: sede-sp@tirar_essa_parte.institutoiepe.org.br

    Escritório Macapá
    Av. Raimundo Álvares da Costa, 1689 - Bairro Central
    Macapá/AP CEP 68900-074
    Tel/Fax: 96-3223-7633 / 3223-2052
    email sede-macapa@tirar_essa_parte.institutoiepe.org.br