Notícias

Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão realiza assembleia

img_0027

Nos dias 22 e 23 de outubro de 2016 foi realizada a IV Assembleia da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão – AMIM na aldeia Manga, Terra Indígena Uaçá, município do Oiapoque/AP. A assembleia contou com a participação de aproximadamente 170 mulheres das etnias Karipuna, Galibi Marworno, Palikur e Galibi Kali’na, de variadas idades e habitantes das diferentes regiões do Baixo Oiapoque. Também estiveram presentes caciques, lideranças, e representantes da FUNAI, do Iepé, da TNC e da GESCON.

As participantes reuniram-se durante esses dois dias para conversar sobre diferentes temáticas, destacando-se a participação da mulher no movimento indígena, o fortalecimento das organizações das mulheres e a importância das mulheres indígenas estarem unidas e articuladas, de mãos dadas, para conquistar seus direitos. Hoje em dia, a AMIM se destaca por ser a única associação que representa os quatro povos indígenas do Baixo Oiapoque.

A primeira mesa da assembleia foi dedicada ao relato da história da AMIM. As sócias fundadoras da associação assumiram a mesa e contaram a sua história, relatando como a associação foi criada, quais as dificuldades enfrentadas e superadas, e a importância das mulheres trabalharem juntas para garantir o futuro de suas comunidades.

Por meados de 2006 as mulheres indígenas tomaram a iniciativa de criar uma associação para contribuírem e terem o direito de serem ouvidas. Desde então, muitas portas foram abertas, as mulheres hoje tem o mesmo papel de um homem líder indígena, de opinar nas decisões que vem sendo tomadas” (apresentação do grupo do Rio Oiapoque).

img_0064

O relato das fundadoras revelou a dedicação dessas mulheres mais velhas para conquistarem seu espaço no movimento indígena e para manterem a associação das mulheres atuante, agora completando 10 anos. Apresentaram os frutos colhidos e jogaram novas sementes, ressaltando a importância das jovens se envolverem no movimento. De fato, houve uma grande participação das jovens indígenas, assumindo a frente na organização e na condução da assembléia. Como a frase de Dona Verônica, cacica da aldeia Curipi, que ecoou em diversas falas ao longo do encontro: “chegou a hora das mulheres ficarem por cima”.

A importância da articulação das mulheres no movimento indígena destacou-se também no relato sobre o II Encontro de Mulheres Indígenas do Amapá e Norte do Pará, realizado em Macapá neste mesmo ano. As mulheres indígenas do Oiapoque que participaram do evento apresentaram para a assembleia as temáticas discutidas no encontro e a importância das trocas de conhecimento e de sementes entre as mulheres de diferentes povos: Wayana, Aparai, Tiriyó, Katxuyana, Txikyana, Wajãpi, além de várias convidadas vindas de outras regiões do país. Ressaltaram as diferenças entre as visões das mulheres de cada povo indígena, especialmente sobre o que entendem por “bem-viver”. Uma das participantes, Janina dos Santos Forte, apontou para a importância de encontrar mulheres indígenas de outros povos para pensar sobre si mesmas, sobre a necessidade de olhar para dentro das suas próprias terras indígenas e perceber a importância daquilo que está perto, no cotidiano.

img_0204

Houve uma preocupação das organizadoras da assembleia que todas as refeições fossem baseadas na culinária regional, destacando-se pratos como o mingau de cará, macaxeira, daxina, caxixi, jacaré, e diversos outros peixes da região. A cozinha, desta vez, ficou sob responsabilidade dos homens da comunidade, sendo sua contribuição para assembleia das mulheres.

A assembléia da AMIM deste ano focou-se principalmente na reestruturação da associação, em reforçar a importância de uma organização e o papel que cada uma tem nela. Foi o ponto culminante das reuniões regionais de fortalecimento institucional realizadas durante o mês de setembro nas aldeias, e também das orientações apresentadas inicialmente pela consultoria contábil/administrativa da AMIM (realizada pela GESCON, como parte do Projeto TNC/Iepé de fortalecimento institucional da AMIM), cujos resultados também foram apresentados na assembleia.

img_0281

Além disso, foi realizada a admissão de novas sócias e foi aprovada a reforma do estatuto da associação. Por fim, houve a eleição de uma nova diretoria, em que a senhora Bernardete dos Santos assumiu a presidência, ao lado de Bruna dos Santos Almeida (Secretária), Claudia Renata Lod Moraes (Coordenação Administrativa), Lilia Ramos Oliveira (Coordenação Financeira). Foram eleitos também membros para o Conselho Fiscal e as coordenadoras regionais das seis regiões do Baixo Oiapoque.

A mulher no movimento indígena vem conquistando direitos e benefícios, espaços e reconhecimento enquanto lideranças, abrindo caminhos para novas conquistas, lutando para a afirmação do seu povo, da sua cultura, para construir um futuro melhor.” (Claudia Renata Lod Moraes)

img_0358

Iepé contrata consultor especializado em Letramento e Noções de Matemática para Povos Indígenas de Recente Contato

Este Termo de Referência visa à contratação de um CONSULTOR ESPECIALIZADO EM LETRAMENTO E NOÇÕES DE MATEMÁTICA PARA POVOS INDÍGENAS DE RECENTE CONTATO para executar atividades relacionadas ao projeto “Bem Viver Sustentável” financiado pelo BNDES, com recurso do Fundo Amazônia, Terra Indígena Zo’é -PA.

O Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena é uma entidade da sociedade civil sem fins lucrativos, criada em 2002, cuja missão é contribuir para o fortalecimento cultural, político e para o desenvolvimento sustentável das comunidades indígenas que vivem no Amapá e norte do Pará, proporcionando-lhes assessoria especializada e capacitação técnica diversificada, entre as quais estão gestão de projetos, valorização e gestão de patrimônios culturais, educação escolar diferenciada, educação em saúde, fortalecimento político e gestão territorial e ambiental. Sua atuação é pautada pelas demandas indígenas de formação e de capacitação, visando o fortalecimento de suas formas de gestão comunitária e coletiva. Além disso, o Iepé se dedica a monitorar as políticas públicas indigenistas e ambientais que incidem sobre estas comunidades, agindo no sentido de influenciá-las positivamente para que os direitos destas populações enquanto povos diferenciados sejam respeitados.

Leia mais ...

Formação Indígena em Gestão Ambiental e Territorial no lado Oeste do Tumucumaque

_mg_1338Entre os dias 10 a 15 de outubro de 2016, 24 jovens dos povos Tiriyó, Katxuyana, Kahyana, Txikiyana, Okomoyana, dentre outros, representantes de 19 aldeias da Terra Indígena Parque do Tumucumaque/Oeste, participaram do I Módulo de Formação em Gestão Ambiental e Territorial, na aldeia Missão Tiriyó.

Estavam presentes Ubirajara Ke’su, presidente da Apitikatxi – Associação dos Povos Indígenas Tiriyó, Katxuyana e Txikuyana, e Ângela Kaxuyana, da Aikatuk – Associação dos Povos Indígenas Katxuyana, Tunayana e Kahuyana.

Com o objetivo de mobilizar, informar e adicionar sugestões à proposta de formação e capacitação em GATI (gestão Territorial e Ambiental), foi apresentado todo o processo que culminou na elaboração do PGTA da região. Para isso, trabalhou-se no reavivamento da memória dos trabalhos do Iepé na região desde 2007, em um longo processo que resultou no PGTA ora sendo implementado, com apoio do BNDES/Fundo Amazônia.

Durante os dias, muito se discorreu sobre gestão territorial. Atentos à gestão praticada pelos mais velhos, os jovens reexaminam, com auxílio de outras lideranças, as dinâmicas atuais e os efeitos das mudanças ocorridas, incluindo os limites territoriais impostos pela demarcação de sua TI. Angela Kaxuyana refletiu em sua fala:

Qual a diferença da gestão dos mais antigos para a que temos hoje? Desde aquele tempo os velhos faziam gestão. Vocês já perguntaram para os mais velhos como eles faziam a gestão? Já perguntaram para os velhos porque mudavam de aldeia? Para fazer a gestão do território, pois faziam as roças, e depois queriam deixar a terra descansar. Essa é uma forma de fazer gestão para não saturar a terra. Porque as futuras gerações poderão usar. O modelo de vivência era com a preocupação da gestão do território. E hoje? O karaiwa passou uma régua e definiu a delimitação da nossa terra. Agora é somar o conhecimento nosso com o do karaiwa, para que na futura geração se possa ter a terra com qualidade. Hoje, estamos dentro de um quadrado e temos que encontrar outros mecanismos para gestão.

Durante o encontro Ubirajara e Angela Katxuyana rememoraram que a Terra Indígena Parque do Tumucumaque foi demarcada em 1997, e que esse transcurso realizou-se a partir de muitas lutas para conquista desse território. Ubirajara expressa aos jovens:

Um dia, vocês que vão assumir. Por isso, foram os escolhidos para fazer esse curso. Tem que preparar para o futuro.

E Ângela Kaxuyana complementa:

A luta dos nossos avós foi muito importante. É importante cada um retomar esse histórico. Para pensar em proteger uma terra, para pensar em proteger um território, é preciso saber que nenhuma terra no Brasil foi dada pelo governo, e sim foram conquistadas pela luta do povo. Esse ano, essa terra faz 20 anos de demarcação.

Ela complementa que após essa luta da demarcação, veio a formação de agentes, também uma conquista do movimento indígena:

Não pode fazer gestão igual a do passado. Agora tem limites que nos foram impostos. Agora tem que começar a conversar com o povo sobre gestão. O que também é uma conquista dos povos indígenas. É a partir dessa luta que surge a PNGATI. (Ângela Kaxuyana).

_mg_1191
Iniciativa de Manejo nas aldeias

Em um dos dias do encontro, o cacique Davi Kaxuyana, apresentou para os jovens a experiência que estão propagando em 4 aldeias katxuyana: Tuhaentu, Orokofa Velha, Orokofa Nova e Taratarafë (distantes cerca de uma hora e meia da aldeia Missão Tiriyó). Em sua apresentação, o cacique instigou os jovens à importância da formação em GATI, e trouxe a eles espécies de mandioca que destinou àqueles que ainda não tinham tais variedades. Abordou sobre o manejo do fogo, em que se pratica o aceiro, deixando a terra “descansar” por cerca de 4 anos, com o propósito de conduzir as roças para mais próximo das aldeias. De natureza igual, as 4 aldeias reservaram uma área coletiva de plantio de babaçu, com o desígnio de manter e estocar a palha que precisam para construção das casas, pois perceberam que estava cada vez mais distantes e escassas. Ângela Kaxuyana comenta com os jovens sobre a experiência:

As quatro aldeias conseguiram aderir. Estou encantada. É um resgate da história do meu povo, e é um desafio muito grande. Os jovens tem muita resistência em manter a nossa cultura. São essas diferenças e esses valores que fazem eu ser katxuyana e você ser tiriyó: vem desde a culinária até o tipo da alimentação. […] Todos que morampor aqui, principalmente na Missão, vão muito distante para caçar, fazer roça e pescar. Então, é aproveitar a esse curso, para ver na prática. (Ângela Katxuyana).

Durante o encontro, os participantes visitaram e trocaram experiências em três roças dos jovens que estavam presentes.

Para compreensão dos serviços ecossistêmicos e modelagem participativa integrada, os assessores Iuri Amazonas (Procam/USP) e Vitor Zanetti (ITA), discorreram sobre as temáticas, expondo os conceitos e interagindo com imagens. Os jovens desenharam o dia-a-dia em suas aldeias. Os desenhos demonstraram a diversidade de atividades e afazeres dos jovens, bem como a sua interação com o território e ambiente em que vivem.

Este módulo foi conduzido por Iuri Tavares Amazonas (Procam/USP), Vitor Zanetti (ITA), Davi Maruwono (documentarista indígena), e membros da equipe do Programa Tumucumaque (Evandro Bernardi, Osvaldo Souza, Rosamaria Loures e Jeciane Souza), com a colaboração e acompanhamento de Angela Kaxuyana (Aikatuk) e Ubirajara Ke’su (Apitikatxi).
_mg_1212

 

Inicia a Formação Indígena em Gestão Ambiental e Territorial nas Terras Indígenas Parque do Tumucumaque e Rio Paru d’Este – norte do Pará e Amapá

img_1022

Leste/Aldeia Bona

Aconteceu entre os dias 26 de setembro a 01 de outubro, na Terra Indígena Parque do Tumucumaque, aldeia Bona, o I Módulo de Formação Indígena em Gestão Ambiental e Territorial, componente do Projeto Bem Viver Sustentável (BNDES/Fundo Amazônia), voltado para a implementação do PGTA de ambas TIs, Tumucumaque e Rio Paru d’Este, contíguas entre si, no extremo norte do Pará. Este I Módulo contou com 36 participantes interessados em fazer parte desta formação, pertencentes a cada uma das 24 aldeias existentes na faixa leste deste complexo de TIs. Formam uma turma diversificada, composta por jovens, homens e mulheres, professores, caciques e lideranças locais, dos povos Wayana, Aparai, Wajãpi, Akuriyó, Tiriyó, Txikiyana, dentre outros.

fotos-site-ladolesteEsta formação propõe módulos semestrais de 21 dias cada, no decurso dos próximos 3 anos (2017/2019). No primeiro momento do encontro, estruturou-se uma linha do tempo das atividades já realizadas na região com apoio do Iepé, ao longo dos 11 anos de atuação na região. Araimaré Wajãpi Wayana, em sua fala, converge com o objetivo da formação proposta:

Tem dois [objetivos] principais: colocar em prática tudo que foi feito durante as oficinas, tudo que foi discutido nas assembleias, palestras, chegando a esse PGTA, com o objetivo final de fazer capacitar os novatos, os jovens, para trabalhar em cima desse PGTA; e outro é fazer viver bem melhor, com a floresta em pé, para que a natureza que vive junto com aquelas pessoas que vivem nela, possa viver bem. Trabalhando tudo, envolvendo cultura em geral.

Durante a semana, foram expostas e incorporadas contribuições dos participantes aos eixos temáticos que serão trabalhados no processo de formação: Legislação Indigenista e Ambiental; Formação do Estado Brasileiro; Produção e Soberania Alimentar; Instrumentos para a Proteção Territorial; Pesquisa e Documentação; e Modelagem Participativa – visando o empoderamento da Gestão Ambiental e Territorial de Base Comunitária.

Após a apresentação das temáticas, um jovem relata como podem ser abordados na prática alguns dos assuntos discutidos:

Eu sou também conselheiro na área de saúde. Eu sempre aconselho o pessoal do Manau para não jogar lixo na água, nem produtos como baterias, pilhas e essas coisas assim. Mas dentro de outras áreas, como da cultura – preservação de patrimônio, também tem que ter alguma segurança, um jeito que seja seguro e reconhecido nacional e internacionalmente. Para que toda arte indígena, toda cultura seja valorizada, conhecida e praticada dentro da educação – aí entra na área de educação. Dentro da educação, também pode entrar a valorização da língua. Porque tem algumas pessoas que estão perdendo a língua, então nós temos que valorizar nossa língua: esse projeto também vai estar mostrando por onde fazer, usar e defender, colocá-la em prática, ensinar como fazer isso. E também eu vou falar sobre movimento social – aquilo que eu falei que a gente tem que aprender a fazer os documentos, conhecer as leis. (Araimare Wajãpi Wayana).

Sobre a temática Formação do Estado Brasileiro, que versa sobre a História do Brasil e da região, o mesmo jovem acrescenta:

Estávamos falando da história dos Wayana e Aparai, mas também estamos incluindo Tiriyó e Txikiyana. Cada um desta etnia tem a sua história. Então, para que esses participantes se preparem, quando chegar nas suas aldeias procurarem com seus pais, velhos, perguntar sobre a história, fazer entrevistas. Para quando entrar nessa disciplina, já vem preparado. Às vezes, o mais velho não vai poder vir, para contar também a história da sua etnia (Araimare Wajãpi Wayana).

lado-leste-2

O módulo contou com a organização e participação da Cecília Apalai, presidente da Apiwa – Associação dos Povos Indígenas Wayana e Aparai. Cecília, que também é professora. Ela reforçou que vai colaborar em repassar as informações aos jovens participantes através da tradução das conversas, com intuito de facilitar a compreensão das temáticas abordadas, e adiciona:

Outra coisa também, mais importante: eles vão ser futuro. A gente chegou no início, e a gente vem lutando, e eles que vão ser as futuras pessoas que vão começar a ajudar em suas aldeias. A gente iniciou e eles vão começar a levar pra frente, e outras futuras gerações, mais ainda. No início, a gente teve dificuldades nas negociações, mas depois, nas futuras gerações, vai ser melhor ainda. Hoje eles estão aqui, vão aprender. Mas, nas aldeias deles, eles tem que fazer essa prática que fizeram aqui. (Cecília Apalai)

Durante a capacitação, os participantes responderam a um questionário com o propósito de traçar um perfil da turma, contribuindo com a constituição das temáticas a serem tratadas durante o curso.

Ademais, foi realizada uma visita à roça de Abel Wayana, onde todos os participantes trocaram informações sobre o plantio da mandioca, realizado de diferentes modos pelos Wayana, Aparai e Tiriyó. Ao final, ficou pactuada a realização de uma feira de trocas de sementes no próximo módulo.

lado-leste-3

Depoimentos e trocas de experiências marcam o II Encontro de Mulheres Indígenas do Amapá e Norte do Pará

Mulheres wajãpi se pronunciam no II Encontro de Mulheres do Amapá e Norte do Pará

Mulheres wajãpi se pronunciam no II Encontro de Mulheres do Amapá e Norte do Pará

Reunidas em Macapá de 18 a 20 de outubro de 2016, as mulheres indígenas do Amapá e norte do Pará, e suas convidadas de outras regiões, tiveram oportunidade de conviver e dialogar durante três dias sobre seus saberes relacionados à sua alimentação, práticas agrícolas e gestão de seus territórios. Puderam relatar sobre os desafios que encontram hoje para alcançar o que chamaram de “bem viver da mulher indígena”, falando de si mesmas, incentivando umas às outras a serem mais atuantes na vida pública e no movimento indígena, não contra, mas junto aos homens. Emocionaram-se com as histórias de vida relatadas, e orgulharam-se por aquelas que já conquistaram mais espaço, sendo ouvidas e mostrando que também estão na luta por esse bem viver, tão almejado, e que sabem ter muito em suas mãos para fazer acontecer. Como representante da COIAB, Nara Baré manifestou sua preocupação com o movimento indígena hoje, na Amazônia e no Brasil:

O movimento indígena hoje está preocupado, pois são muitos entraves e muitos direitos que foram conquistados com muito sangue, com muita luta, e isso querem tirar da gente. Se a gente tem uma vida que é digna, isso vem de várias batalhas e negociações ao longo do tempo. A gente vê a necessidade das mulheres construírem juntas. Então, temos muito a contribuir. E, hoje, a gente vê, dentro desse panorama, muitos desafios. Antes, era muito difícil ver cacique mulher, ver pajé mulher, e isso foi feito através do diálogo.

Um tema que suscitou muita discussão entre as mulheres no segundo dia do Encontro foi a Lei Maria da Penha. Angela Kaxuyana e Nara Baré destacaram este como um dos temas mais recorrentes entre as mais de 230 mulheres, de 90 povos diferentes, ouvidas pelo “Voz das Mulheres Indígenas”, que faz parte de uma iniciativa da ONU – Organização das Nações Unidas. Para as mulheres Wajãpi, a violência contra as mulheres é inaceitável, mas elas entendem que existem modos propriamente wajãpi de se lidar com esse tipo de ocorrência. Conforme disse Pi’i Wajãpi: “Na nossa aldeia, quando homem bate em mulher, mãe, avó, todo mundo conversa muito. Ensina desde pequeno. Nós não somos como os brancos. Somos indígenas“.  As mulheres do Oiapoque e do Tumucumaque também relataram casos de violência contra mulheres, e falaram sobre como têm lidado com isso. Esta se revelou uma preocupação muito grande entre as mulheres indígenas presentes, e avaliaram que é preciso aprofundar os debates a respeito desse tema.

Angela Kaxuyana e Nara Baré falam a respeito da participação das mulheres no movimento indígena

Angela Kaxuyana e Nara Baré falam a respeito da participação das mulheres no movimento indígena

Como destacou Angela Kaxuyana, esse tema aparece como o mais relevante no Voz das Mulheres Indígenas após consulta junto a 230 mulheres, de 90 povos, reivindicando conhecer mais sobre as questões postas pela lei Maria da Penha e suas consequências. Não há uma unanimidade absoluta no que pensam as comunidades indígenas sobre a aplicação dessa lei. O que a maioria das mulheres falou nesse Encontro, é que gostariam de conhecê-la melhor também, pois têm vários questionamentos, e consideram que não se trata de terem que escolher, dizer sim ou não, mas avaliar aspectos como:

Será que é importante para nossa cultura? Será que podemos adequá-la às regras de convivência de nossas aldeias? Como essa lei pode funcionar com as leis de nossas comunidades? O que funciona, o que não funciona?

A cerca dos desafios das mulheres indígenas, Dona Elza, do Oiapoque, fez uma fala bastante contundente, ligando a discussão da presença das mulheres indígenas com o tema do Encontro (Alimentação, Práticas Agrícolas e Gestão Territorial):

De primeiro, não tínhamos essa oportunidade de nos reunirmos. Aí eu fico pensando: não existe cultura para apanhar! Existe cultura para dançar, para cantar, para assar peixe na beira do rio… Nossos antepassados não tinham diabetes, porque a comida era só natural. Agora, se não tem mortadela, óleo, a criança não quer saber de comer. E precisa de freezer, geladeira, energia elétrica, tudo isso.

Lilia Karipuna, jovem indígena do Oiapoque

Lilia Karipuna, jovem indígena do Oiapoque

Mulheres indígenas do Oiapoque falam da importância do trabalho em conjunto

Mulheres indígenas do Oiapoque falam da importância do trabalho em conjunto

Mulheres do lado oeste do Tumucumaque falam sobre bem viver

Mulheres do lado oeste do Tumucumaque falam sobre bem viver

Em diversas falas, as mulheres indígenas presentes reforçaram ser a primeira vez que estavam participando de um encontro como esse, só de mulheres. Mitore Tiriyó colocou que há sim a participação das mulheres nesses movimentos, mas ainda é como uma criança engatinhando, que tem que se acompanhar bem de perto.

Durante os três dias do Encontro, as mulheres do Tumucumaque, Oiapoque e as Wajãpi apresentaram suas danças e cantos tradicionais, convidando todas as presentes a participarem. Tais manifestações para elas estão dentro do que concebem como importante preservar como parte de seu bem viver:

Bem viver, para a gente, são as nossas festas. É homem caçando, pescando no rio, mulheres colhendo, são nossos peixes, caças e frutos nativos. Tudo isso tem que ter na nossa terra para nos sentirmos bem. (Mulheres do Tumucumaque).

Nós, mulheres indígenas wajãpi, vivemos bem se temos saúde, educação e alimentação. Esse é, para nós, o bem viver. Nós demarcamos e mantemos preservadas a nossa terra, por isso que nós não nos preocupamos com recursos e alimentos, frutas, caças, peixes, entre outras, porque temos para consumo. Nós vivemos bem porque não tem poluição e não falta alimentação. Nós não derrubamos a floresta de qualquer jeito. Não fazemos agricultura como os Karaiko (não índios) que desmatam muita floresta, nós fazemos roças onde depois a floresta volta a crescer. Nós respiramos a respiração das florestas, que também serve para os animais respirarem. A floresta é nosso mercado, e nossa farmácia também. Lá que nós pegamos nossa medicina tradicional, e tudo isso é bom para o nosso futuro.  (Mulheres Wajãpi).

O principal seria as nossas terras demarcadas, que a gente de fato tem hoje, e é o principal. O que queremos para nosso o bem viver? Paz, união, respeito, valorização, amor, saúde, justiça, proteção, liberdade, segurança. Isso é o que todas as mulheres querem, se a gente ta aqui hoje lutando por algo melhor é isso que a gente quer. Pra que a gente consiga juntoa, e de mãos dadas (Mulheres do Oiapoque).

Por fim, as mulheres fizeram uma avaliação positiva, abordando a importância do encontro, da organização e do movimento de mulheres indígenas. Mencionaram com entusiasmo que esperam novos e mais frequentes encontros como este, com mais convidadas, danças e trocas de sementes.

Cacica Creuza ensina a Dança da Formiga

Cacica Creuza ensina a Dança da Formiga

Moni Apalai e Tonia Tiriyó

Moni Apalai e Tonia Tiriyó se preparam para cantar e dançar

 

II Encontro de Mulheres Indígenas do Amapá e norte do Pará: Alimentação, Práticas agrícolas e Gestão Territorial

Mulheres indígenas se reúnem em Macapá

Mulheres indígenas se reúnem em Macapá

Hoje, 18 de outubro de 2016, teve início o II Encontro de Mulheres Indígenas do Amapá e Norte do Pará – Alimentação, Práticas Agrícolas e Gestão Territorial, produzido pelo Iepé, em parceria com a RCA e Funai, e contando com o apoio da Fundação Moore, Rainforest Foundation e Embaixada da Noruega. Mais de 50 mulheres estão presentes, representando a grande sociodiversidade da região: do Oiapoque, vieram Galibi, Galibi-Marworno, Karipuna e Palikur; do Tumucumaque, Wayana, Aparai, Tiriyó, Katxuyana e Txikyana; também participam as mulheres Wajãpi, a representante da COIAB Nara Baré e representante da Aikatuk e FEPIPA, Angela Kaxuyana, e Marluce Mura (AMIRMO), além de várias convidadas da RCA, vindas do Acre (Francisca Arara e Edileuda Shanenawa, da OPIAC), do Amazonas (Almerinda Lima e Adelina Dessana – FOIRN, e Cleide e Luzinda Mayuruna – OGM), de Roraima (Lucila Souza e Lucimeiry Silva – CIR) e do Xingu (Kuiaiú Yawalapiti – Associação Yamurikumã das Mulheres do Xingu). São parteiras, professoras, lideranças, cacicas, pesquisadoras, agentes de saúde, agentes socioambientais, mas, sobretudo, mulheres indígenas, preocupadas com seu papel no dia-a-dia de suas aldeias.

Em sua fala de abertura Bernadette Franceschini, gerente de projetos do Iepé, destacou a importância desse tipo de encontro tanto para as mulheres indígenas quanto para o Iepé, sendo que o fortalecimento da participação das mulheres nas atividades promovidas pelo instituto tem tido grande espaço em suas prioridades. Toda a equipe se apresentou, expressando contentamento com a realização da segunda edição do encontro de mulheres. Simone Karipuna, coordenadora regional da FUNAI, destacou que:

Hoje quem está na frente da Funai é uma mulher indígena: sou Karipuna, e quero colaborar para que ocorra esse fortalecimento das mulheres indígenas. Vocês são jovens e são cabeças disso tudo, e queria pedir para poder colocar tudo que vocês vivenciam, para que a gente possa depois ver os encaminhamentos que vocês tiraram daqui. Porque a Funai e outros parceiros podem saber o que vocês pensam para conseguir encaminhar isso. Eu vou fazer o possível para estar aqui, ouvindo e dialogando com vocês.

 Durante o dia as mulheres trocaram experiências sobre o manejo das roças, as diversidades de cultivares que produzem, bem como o que as mulheres fazem para garantir os alimentos de qualidade para a família, como são selecionados os locais de roça, o que plantam e de onde vêm as sementes. No final do dia, foram realizadas trocas de sementes, mudas e remédios tradicionais.

Mulheres convidadas da RCA – Rede de Cooperação Amazônica, em frente às sementes, frutas e demais produtos trazidos para trocar com as outras mulheres

Iepé assina carta de apoio aos Guarani Kaiowá do Tekohá Apikaí

Despejo é genocídio: em defesa dos Guarani e Kaiowá do Apyka’i

No Mato Grosso do Sul, no meio de uma plantação de cana, vive um grupo de famílias Guarani e Kaiowá. Para eles, aquela terra se chama Apyka’i, e é onde estão enterrados os seus antepassados. E eles estão ameaçados de despejo.    É ao lado dessas pessoas que nos posicionamos nesta carta, contra a recente decisão de reintegração de posse da área em favor de uma vasta plantação de cana, arrendada pela Usina São Fernando. A usina, localizada no município de Dourados (MS) ­ pertence a José Carlos Bumlai, empresário e pecuarista preso pela Operação Lava Jato ­, incide sobre o território indígena.

Apyka’i é um exemplo grave do genocídio praticado contra os indígenas no estado. Lá, eles bebem água em um córrego envenenado pelas plantações de cana ­ uma senhora morreu de envenenamento ali. Outras oito pessoas foram atropeladas às margens da rodovia, por onde os indígenas acessam a cidade. Outras três se suicidaram, no contexto da falta absoluta de terra. A morte é muito presente no Apyka’i ­ logo que se entra no acampamento, é possível avistar dois cemitérios. Desfavorecidos pela paralisação das demarcações das terras indígenas, sofrendo   regularmente tentativas de reintegração de posse, ameaças de morte, ataques, incêndios criminosos, suicídios, ausência total de acesso a saúde e educação, ataques químicos com agrotóxico por aviões, atropelamentos e racismo.

Por anos, viveram em uma faixa minúscula                           de terra na beira da estrada, em barracos, antes de reocuparem sua terra ancestral.

A comunidade afirma que não irá sair ­ mesmo que o efetivo da polícia militar seja utilizado para removê-­los a força, conforme solicitação do juiz Fábio Kaiut Nunes, da 1a. Vara Federal de Dourados. Afora os moradores dali, há milhares de guerreiros e guerreiras, entre os mais de 50 mil Guarani e Kaiowá que habitam o estado, prontos para resistir ao lado deles.

E quem seríamos nós, senão nos rendêssemos a esse grito desesperado de resistência? Num dos momentos mais antidemocráticos que já vivemos em nossa história, e num contexto de forte criminalização contra nós, movimentos sociais e apoiadores da causa indígena, afirmamos que faremos o que for possível para ajudar a defender o pequeno acampamento do Apyka’i, tomando nosso lado nesta luta: de mãos dadas com os Guarani e Kaiowá, contra os gigantes com dinheiro.

Deixe o Apyka’i viver!

13 de junho de 2016

ASSINAM ESTA CARTA:
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)
Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme)
Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste (Arpinsudeste)
Articulação dos Povos Undígenas do Sul (Arpinsul),
Associação Floresta Protegida (Mebengokre/Kayapó)
Aty Guasu Guarani e Kaiowá
Comissão Guarani Yvyrupa (CGY)
Conselho de Articulação do Povo Guarani (RS)
Conselho Terena
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab)
Amigos da Terra  Associação Brasileira de Antropologia (ABA)  Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária/PR (Amar)  Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte/PR (Apromac)  Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí)  Associação de Proteção ao Meio Ambiente (Apromac)  Art. Rosalino de Povos e Com. Tradicionais do Norte de Minas e Alto Jequitinhonha
Bicuda Ecológica (RJ)
Canudos/SP
Cáritas Brasileira
Centro Acadêmico Celso Amorim (Rel. Int./UFGD)
Centro Acadêmico de Ciências Sociais (UFMS)
Centro Acadêmico Florestan Fernandes (Ciências Sociais/UFGD)  Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA)  Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos (CDDH­MS)  Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (Cedefes)
Centro de Estudos Bíblicos (CEBI)  Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul/Ba (Cepedes)  Centro de Trabalho Indigenista (CTI)
Coletivo A Causa
Coletivo de Entidades Ambientalistas do Estado de São Paulo
Coletivo de Mulheres da UFGD
Coletivo de Profissionais em Antropologia (aPROA)
Coletivo Terra Vermelha (CTV)
Comissão da Verdade e Memória do Grande Sertão
Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos
Comissão Pró­Índio de São Paulo (CPI­SP)
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Comitê de Defesa Popular de Dourados
Comitê de Solidariedade aos Povos Undígenas De Araraquara/SP  Comitê de Solidariedade aos Povos Undígenas De Dourados/MS  Comunidades Eclesias de Base do Mato Grosso do Sul (CEBs/MS)  Conselho Indigenista Missionário (Cimi)  Conselho Pastoral de Pescadores (CPP)
Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB)
Contra o Trafico de Mulheres (UFGD)  Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq)
Eterno Arte Crew
Fábrica Artístico­cultural Latinoamericana de Corumbá e Ladário (Fala)
Fase
Federação Anarquista Gaúcha (FAG),
Fian Brasil
Frente Nacional de Defesa dos Territórios Quilombolas
Fórum da Amazônia Oriental (Faor)
Fórum de Igrejas e Organismos Ecumênicos do Brasil (FE ACT/Br)
Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social  Greenpeace Brasil  Grupo Argos de Teatro (Corumbá/MS)  Grupo de Estudos Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (UFMA)  Grupo de Estudos Subalternidade e colonialidade na America Latina (UFGD)
Índio é Nós
Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (PROAM)
Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)
Instituto da Mulher Negra do Pantanal (Imnegra)
Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé)
Instituto Madeira Vivo
Instituto Socioambiental (ISA)
Instituto Terramar
Instituto Transformance: Cultura & Educação
International Rivers ­ Brasil
Justiça Global
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento Tapajós Vivo
Plataforma de Articulação e Diálogo (PAD)
Plataforma de Direitos Humanos Dhesca Brasil
Rede Brasileira de Arteducadores (Abra)
Rede Nacional de Advogados Populares (Renap)
Toxisphera Associação de Saúde Ambiental
Uma Gota No Oceano
União de Mulheres de São Paulo
Universidade Communitária dos Rios (UNIcomRIOS/Marabá)

Iepé tem nova diretoria

Nos dias 11 e 12 de junho de 2014, em São Paulo, realizou-se a Assembleia Ordinária de Sócios do Iepé, quando foi eleito o novo Conselho Diretor da instituição, para o período 2014-2017. A cientista social Bernadette Franceschini foi eleita presidente do Iepé, e as antropólogas Lucia Hussak van Velthem e Dominique T. Gallois para os cargos de secretária e tesoureira, respectivamente.

para o site

Os sócios do Iepé aprovaram as contas da instituição de 2013, discutiram o relatório de avaliação institucional e fizeram proposições para o aperfeiçoamento dos trabalhos do Iepé. As coordenadoras dos quatro programas que estruturam o trabalho do Iepé (Wajãpi, Tumucumaque, Oiapoque e Articulação Regional) apresentaram as linhas de trabalho desenvolvidas e os resultados alcançados nos últimos anos, junto aos povos e comunidades indígenas do Amapá e norte do Pará.

Por fim, a assembleia de sócios aprovou o ingresso de duas novas associadas: Márcia Franceschini e Marina Kahn.

Iepé e Funai apóiam criação de Fundo de Artesanato Zo’é

Está em processo de implantação o Fundo de Artesanato Zo’é – FAZ,

fruto de uma iniciativa do Programa Zo’é da Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema/ Funai em parceria com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena- Iepé. Um dos resultados previstos no projeto “Artesanato Zo’é: saberes e tecnologias relacionando mundos”, apoiado pela Caixa Econômica Federal, o FAZ ocupará um espaço de uso coletivo no interior da Terra Indígena Zo’é, situada ao norte do Estado do Pará.

Relatório Final - FAZ_CAIXA_dez_2013-2

Mais do que uma ferramenta para propiciar geração de renda a partir da comercialização das peças, permitindo aos Zo’é adquirir determinadas mercadorias, o Fundo deverá catalisar uma série de ações voltadas à valorização das técnicas tradicionais de produção artesanal deste povo. Além disso, também deverá possibilitar o estreitamento de seus vínculos com a Funai, responsável pela gestão do FAZ, reforçando a compreensão dos Zo’é de sua relação com o Estado e minimizando as suas frequentes evasões para o entorno da TI, onde vêm estabelecendo relações conturbadas em sua história recente. Estes entendimentos alicerçaram a execução das atividades do projeto que, entre setembro de 2013 e fevereiro de 2014, envolveram oficinas para estimular a participação e capacitação dos Zo’é na gestão do FAZ, fomentar a transmissão de saberes tradicionais por meio da confeccção de peças de cerâmica, fibras e madeira, bem como promover a capacitação dos Zo’é para a documentação dos processos produtivos e técnicas utilizadas.

O projeto, que foi aprovado pelo Edital Programa Caixa de Apoio ao Artesanato Brasileiro, permitiu ainda a constituição de um acervo reunindo fotos, vídeos, textos, mapas e depoimentos, disponibilizados às comunidades por meio de DVDs e materiais impressos, assim como a elaboração de diversos materiais de divulgação, como um folder e banners.

Saiba mais sobre o projeto aqui.

Iepé assina a Carta Aberta sobre os Direitos dos Povos Indígenas

O Iepé é um dos signatários da “Carta aberta ao governo brasileiro sobre os direitos dos povos indígenas e o desenvolvimento sustentável do país, lançada durante o seminário“, lançada pelo Instituto Ethos durante a realização do Seminário “Direitos Humanos e Mecanismos de Reclamação e Diálogo”, realizado no dia 11 de junho de 2013, evento que teve como objetivo promover o debate a respeito da disponibilização de canais de diálogo e reclamação para as partes interessadas, item para a devida diligência sobre o respeito aos direitos humanos pelas empresas e também pelo Estado.

A carta foi proposta ao final da mesa redonda “Regulamentação da Convenção 169 da OIT e da Constituição Federal em Relação à Consulta a Comunidades Indígenas – Situação Atual e Desafios Futuros”, quando se debateu uma agenda positiva para a garantia dos direitos humanos dos povos indígenas, com a perspectiva da consolidação da democracia, dos direitos humanos e do caminho para o desenvolvimento sustentável. Participaram da mesa: Ailton Krenak, Juliana Miranda (Secretária Geral da Presidência da República), Antônio do Nascimento Gomes (Fíbria) e Luis Donisete Benzi Grupioni (Iepé).

Leia mais ...

Login Form