Iepé é o termo tradicionamente utilizado pelos grupos indígenas das Guianas para designar o amigo e parceiro de troca nas complexas redes de intercâmbio que esses grupos mantêm entre si.

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Intercâmbio entre artesãos Wayana e Aparai com pesquisadores Baniwa no Alto Rio Negro. Imprimir E-mail

“Vou levar comigo essa experiência para a minha aldeia, o manejo
de arumã é muito útil e não é difícil de fazer e dá bons resultados. (Amiakaré Apalai).

Entre os dias 21 e 30 de abril, quatro representantes Wayana e Aparai, habitantes das Terras Indígenas Parque do Tumucumaque e Rio Paru D’Este, extremo norte do Pará, conheceram de perto experiências de uso sustentável desenvolvidas pelos Baniwa, cujas aldeias estão localizadas às margens do rio Içana, um importante afluente do rio Negro, no Amazonas. Participaram desta viagem os artesãos Amiakaré Apalai (chefe de posto da aldeia Bona), Apowaiko Apalai (Agente Indígena de Saúde da aldeia Bona), Jamae Wayana (professor da aldeia Jolokomã) e Jehje Wayana (cacique da aldeia Xuixuimene), além de Iori van Velthem Linke, assessor do Programa Tumucumaque do Iepé. Essa comitiva foi acompanhada e assessorada por Armindo Brazão, pesquisador Baniwa responsável pelos estudos de manejo de arumã; e por Adeilson Lopes, ecólogo do Instituto Socioambiental (ISA).

O objetivo deste intercâmbio foi oportunizar a troca de conhecimentos e percepções entre esses povos a respeito de experiências de manejo de recursos naturais, com especial foco no arumã, e que já vêm sendo desenvolvidas pelos povos integrantes da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI) em parceira com o Instituto Socioambiental (ISA) há, pelo menos, 10 anos. O arumã (Ischnosiphon spp. Família Marantaceae) é uma planta de sub-bosque presente na região amazônica. De sua casca é extraída uma fibra muito resistente que é utilizada por muitos povos indígenas da Amazônia na manufatura de objetos trançados. Além do artesanato comercializável, que é uma importante fonte de renda, o arumã também é base para a produção de tipitis, cestos-cargueiros, peneira e abanos - objetos imprescindíveis para o beneficiamento de muitos alimentos de extrema importância. Sem o arumã seria virtualmente impossível para os Wayana e os Aparai, por exemplo, produzirem sua farinha, seu beiju, sua tapioca, seu tucupi e suas bebidas fermentadas de mandioca e de outros cultivares.

Contudo, já há algum tempo, os artesãos Wayana e Aparai – que, por sinal, são reconhecidos como excelentes trançadores de arumã - juntamente com o Iepé vêm constatando a crescente escassez desta planta nas proximidades de suas aldeias. Desta preocupação conjunta nasceu um projeto de manejo de arumã que faz parte do programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) indígena e é financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

A primeira etapa desse projeto é conhecer os povos que detém os conhecimentos sobre como manejar o arumã para que valiosas informações sejam trocadas e com isso, renovadas e revalorizadas também.  Aí entra a experiência dos Baniwa com esse tipo de manejo. Tal como os Wayana e os Aparai, os Baniwa são muito hábeis na produção de seus belos trançados, e muito de sua produção de alimentos também depende do arumã. No passado, eles também se preocuparam com o rareamento do arumã, e por isso se mobilizaram e junto de seus parceiros procurou descobrir formas de uso e manejo desta planta para que nunca acabe. Os excelentes resultados foram publicados e ainda hoje servem de referências para muitos povos interessados em manejar esse importante recurso florestal.

A viagem de intercâmbio

"Vendo assim, na prática, a gente fica mais animado em voltar pras nossas aldeias
e repetir as experiências lá com o nosso povo” (Apowaiko Wayana Apalai).

Para tanto, os Wayana e os Aparai saíram de suas aldeias rumo à cidade de Macapá de onde viajaram para Belém e de lá para Manaus. Da capital amazonense outro avião foi pego em direção à cidade de São Gabriel da Cachoeira, região conhecida por Cabeça do Cachorro, de onde a viagem continuou em voadeiras até a parada final: a Escola Indígena Baniwa Coripaco (EIBEC) Pamaáli. Foi preciso três dias para que esses mais de três mil quilômetros fossem percorridos e povos dos extremos oriental e ocidental da Amazônia Brasileira se encontrassem.

Adeilson-Lopes
Foto: Adeilson Lopes / ISA. (EIBEC Pama

Quando os viajantes chegaram à São Gabriel da Cachoeira , primeiramente foi feita uma visita à comunidade indígena de Itacoatiara-mirim. Neste lugar foi possível observar um extenso arumanzal (concentração de arumã) que tinha sido plantado há anos no local. Para os Wayana e os Aparai, trata-se de uma novidade incrível, nunca antes haviam presenciado a domesticação dar tão certo.

Apowaiko-Apalai
Foto: Apowaiko Apalai. (Maloca Comunitária de Itacoatiara-Mirim).

Em seguida, subiram o rio Negro até a foz do rio Içana, afluente em que estão localizadas as outras experiências de manejo de arumã que a equipe visitou. Já no médio rio Içana, na comunidade Santa Rosa, foi trocado mais conhecimento sobre outras técnicas de manejo de arumã, diferentes daquelas vistas em Itacoatiara-mirim. Por lá, também foi possível constatar a eficácia dos métodos que vem sendo desenvolvidos.

Os Wayana e os Aparai também visitaram a comunidade Tukumã-Rupitá, onde Armindo Frazão e Adeilson Lopes ministraram uma experiência prática de pesquisa de manejo de arumã.

Iori-van-Velthem-Linke
Foto: Iori van Velthem Linke. Iepé

Na EIBEC Pamáali, onde a equipe permaneceu por três dias, muitas outras iniciativas em busca de técnicas de manejo, o uso sustentável e conservação da biodiversidade com aumento da qualidade de vida dos Baniwa e Coripaco foram apresentadas e muito atentamente absorvidas e refletidas.

Para a comitiva foi muito interessante ver como é possível encontrar formas alternativas de uso não somente do arumã, que é um exemplo, como também pensar sempre em sustentabilidade dos recursos naturais tão importantes para uma boa qualidade de vida.

“Eu gostei de ver o manejo de arumã dos parentes Baniwa do rio Içana na região
do rio Negro. A viagem foi muito longa, mas também foi muito boa, gostei da viagem.
Aprendi sobre manejo de arumã, piscicultura, viveiro de plantas e outras coisas mais.
Foi muito importante para nós conhecer outros lugares. Nós queremos que esse processo
aconteça cada vez mais, queremos viajar mais para outros lugares. Eu vou fazer
experimento de manejo de arumã na aldeia Jolokomã.” (Jamae Wayana)

Última atualização em Qua, 01 de Setembro de 2010 10:16
 
Exposição Transfronteiriça Imprimir E-mail

O Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena e o Museu Kuahí dos Povos Indígenas do Oiapoque convidam para a Exposição Transfronteiriça “Memória e Identidade dos Kali’na Tïlewuyu”, composta pelas mostras “Eles Partiram para o País dos Brancos - 1882 e 1892” e “Os Galibi Kali’na Tïlewuyu do Brasil - 1950-2010”, com abertura no próximo dia 19 de abril, em Oiapoque, Amapá.

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A exposição “Eles partiram para o País do Brancos - 1882 e 1892” retrata a história de um grupo de índios Galibi-Kali´na que no final do século XIX, em 1882, 1883 e 1892, foram levados à França e Holanda para serem expostos nas grandes exposições da época, como representantes dos povos “selvagens” do Novo Mundo. De acordo com as idéias evolucionistas da época, representavam os primitivos da humanidade. Em Paris, no Jardin d´Acclimatation os índios tinham um lugar para desenvolver suas atividades de produção de artesanato e mostrar suas danças e músicas frente a numerosos visitantes curiosos que desfilavam naquele espaço. Devido às circunstâncias adversas, alguns índios Galibi ficaram doentes e nunca voltaram à Guiana Francesa. Na França, este episódio foi fotografado e registrado pelo príncipe Roland Bonaparte. Há também recortes de jornais da época, documentos históricos, hoje preciosos para a recuperação da memória deste doloroso evento.

A exposição “Os Galibi Kali’na Tïlewuyu no Brasil - 1950 - 2010” registra uma história de viagem, ocorrida no séxulo XX. As famílias Galibi Kali’na Tïlewuyu que hoje vivem na Terra Indígena Galibi, no baixo Oiapoque, chegaram ao Brasil em julho de 1950 após uma longa viagem pelo oceano, saindo da aldeia Couachi, às margens do rio Maná, na Guiana Francesa, até chegar em terras brasileiras, onde pretendiam se instalar. Os protagonistas desta viagem, Geraldo Lod, Julien Lod, Joseph JeanJacques e seus familiares, ao todo 38 pessoas, migraram por vontade própria e de comum acordo. No Brasil, fundaram a aldeia São José dos Galibi, em Oiapoque. As famílias recém chegadas se adaptaram rapidamente ao novo ambiente e construíram uma rede de ótimas relações com os povos indígenas da região, os habitantes da cidade de Oiapoque e os militares de Clevelândia.

A memória e a história são aspectos comuns às duas exposições, que são uma homenagem aos antepassados Galibi Kali’na, aos Kali’na que vivem na Guiana Francesa e, especialmente, ao senhor Geraldo e Julien Lod enquanto fundadores da aldeia São José dos Galibi, no Brasil. Com estas exposições, que relatam eventos ainda tão presentes na memória indígena, o Museu Kuahí e o Iepé esperam estreitar mais uma vez os laços de cooperação entre os povos indígenas do Oiapoque e da Guiana Francesa.

Esta exposição integra as atividades de formação de pesquisadores indígenas e de registros e valorização cultural que vêm sendo realizadas pelo Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação Indígena no âmbito do Pontão de Cultura, “Arte e Vida dos Povos Indígenas do Amapá e norte do Pará”, financiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Ministério de Cultura (MinC). A exposição ficará aberta à visitação de abril a dezembro de 2010, no Museu Kuahí, Av. Barão do Rio Branco, 160 – Oiapoque – Amapá.

A inauguração da exposição será no dia 19 de abril, às 10 hs, quando também será feito o lançamento do livro “O Turé dos Povos Indígenas do Oiapoque”, escrito pelos pesquisadores indígenas do Museu Kuahí e publicado pelo Iepé e Museu do Índio-Funai. Uma mostra em banners sobre o ritual do Turé acompanha o lançamento do livro.

Ficha técnica:

Curadoria:

Lux Vidal

Cenografia e Montagem:

Anne Courtois-Vidal

Equipe do Museu Kuahí

Realização:

Iepé e Museu Kuahí

Apoio:

Iphan/MinC, Museu do Índio – Funai, Embaixada da Noruega, Rainforest Foundation, Prefeitura Municipal de Oiapoque e Secretaria de Cultura do Estado do Amapá.

Agradecimentos:

Comunidade Galibi Kali’na de São José do Oiapoque, Comunidade Kali’na de Awala-Yalimapo, Gérard Collomb e Félix Tiouka.

Baixe aqui o folder da exposição
Última atualização em Ter, 13 de Abril de 2010 15:59
 
Lançamento de livros, inauguração de biblioteca e exposição sobre povos indígenas no Amapá Imprimir E-mail

No próximo dia 29 de de março, em Macapá, o Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação Indígena, em parceria com o Museu do Índio - Funai,  Museu Kuahí dos Povos Indígenas do Oiapoque, Petrobras e Iphan lançam os livros "Turé dos Povos Indígenas do Oiapoque"  e " Arte visual dos povos Tiriyó e Kaxuyana: padrões de um estética ameríndia". No mesmo dia ocorrerá a inauguração da sede da biblioteca do Pontão de Cultura "Arte e Vida dos Povos Indígenas do Amapá e norte do Pará" e de uma exposição itinerante sobre a festa do turé. O lançamento dos livros e a inauguração da biblioteca e da exposição são o resultado das ações de valorização do patrimônio cultural indígena dos povos da região do Amapá e do norte do Pará, que o Iepé vem desenvolvendo nos últimos anos, em parceria com vários órgãos de governo, como a Funai e o Iphan, e outras entidades e instituições.

 

Patrimônios Culturais Indígenas – O lançamento dos dois livros encerra o projeto “Valorização e Gestão dos Patrimônios Culturais Indígenas no Amapá e norte do Pará”, patrocinado pela Petrobras, e desenvolvido pelo Iepé desde 2005. Por meio deste projeto foram desenvolvidas várias ações de formação entre os povos indígenas Wayana, Aparai, Tiriyó, Kaxuyana, Karipuna, Galibi-Kali´nã, Galibi-Marworno, Palikur e Wajãpi, visando a valorização de seus respectivos patrimônios imateriais, assim como a consolidação de suas formas de transmissão. Por meio de oficinas, seminários, exposições e preparação de publicações, trabalhou-se os processos de produção, registro, seleção e difusão de elementos dos patrimônios orais e artísticos desses povos.

 

Biblioteca especializada – Já a inauguração da biblioteca do Pontão de Cultura “Arte e Vida dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará” marca mais uma etapa do trabalho desenvolvido pelo Iepé, com apoio do Iphan-MinC, no sentido de produzir e disponibilizar informações contextualizadas sobre os povos indígenas da região do Amapá e norte do Pará. A biblioteca é aberta ao público interessado e disponibiliza livros, periódicos, Cds, DvDs e teses acadêmicas sobre a temática indígena no Brasil, com especial atenção para os povos indígenas dessa região.

 

Repercussão - Segundo o secretário-executivo do Iepé, Luís Donisete B. Grupioni, o evento do dia 29 tem um significado especial: "É um momento em que vamos difundir o resultado de várias ações de valorização cultural, que tiveram origem em oficinas realizadas nas aldeias, em que diferentes segmentos comunitários discutiram e produziram registros sobre seus próprios patrimônios culturais, como no caso dos registros da arte gráfica tiriyó e kaxuyana e da festa do turé, dos povos indígenas do Oiapoque. E também faremos a abertura da biblioteca do Pontão de Cultura, especializada na temática indígena, que será uma referência sobre os povos indígenas em Macapá". O Pontão de Cultura, do Iepé, que conta com apoio do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, desenvolve atividades nas terras indígenas do Amapá e também na cidade de Macapá, oferecendo cursos sobre a temática indígena para a sociedade envolvente.

De acordo com o diretor do Museu do Índio, José Carlos Levinho, "iniciativas como essas reforçam nos índios a importância de se preocuparem com a continuidade de suas manifestações culturais". O Museu do Índio, da Funai, é co-editor do livro sobre a festa do Turé.

O evento tem início as 19:00hs, na sede do Iepé em Macapá (Rua Raimundo Álvares da Costa, 1.689).

 

convite

 

Última atualização em Seg, 05 de Abril de 2010 14:46
 
Lixo é tema de boletim ambiental Imprimir E-mail

"O problema do lixo nas terras indígenas” é o tema do novo númerodo boletim ambiental Povos Indígenas e Meio Ambiente – Amapá e norte do Pará, editado pelo Iepé. O texto aborda a questão do aumento do lixo como um dos grandes problemas ambientais no mundo todo, evidenciando que este não é mais só um problema das cidades e centros urbanos: hoje também é um problema para as terras indígenas e seu entorno. O boletim aborda, ainda, as dificuldades de dar um tratamento adequado ao lixo, a questão dos lixos mais perigosos e da experiência do Iepé de apoiar a construção de fornos incineradores nas terras indígenas.

Última atualização em Qua, 17 de Fevereiro de 2010 11:46
 
Iepé tem nova razão social Imprimir E-mail

De acordo com seu novo Estatuto, o Iepé tem uma nova razão social, passando a denorminar-se Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação Indígena.

Última atualização em Qua, 13 de Janeiro de 2010 10:13
 
Segundo Encontro Transfronteiriço dos Povos Indígenas do Norte do Pará, Amapá, Suriname e Guiana Francesa Imprimir E-mail

2009-12-02-13h00m59De 1 a 4 de dezembro de 2009 em Saint Georges de l’Oyapok, Guiana Francesa aconteceu o “Segundo Encontro Transfronteiriço dos Povos Indígenas do Norte do Pará, Amapá, Suriname e Guiana Francesa”. O evento foi promovido pelo Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena, em parceria com o Observatório Homem/Ambiente “Oyapock, um rio compartilhado”, do Centre National de la Recherche Scientifique – CNRS, com a colaboração do prefeitura de Saint Georges de l’Oyapok e de Camopi na Guiana Francesa.

O encontro contou com a presença de mais de 170 representantes das etnias Wajãpi, Tiriyó, Wayana, Aparai, Galibi, Galibi-Marworno, Karipuna, Palikur, Kali’na e Teko, e representantes de organizações indigenistas, ambientalistas e de órgãos governamentais dos três países. Durante o encontro foram discutidos temas que já vinham sendo desenvolvidos desde a primeira reunião transfronteiriça, promovida pelo Iepé e realizada em novembro de 2008, na cidade de Macapá, entre eles: garimpo e mineração em territórios indígenas e no seu entorno; agricultura; manejo da caça, da pesca e das atividades extrativistas; e produção de artesanato e gestão das matérias-primas. Os debates, realizados com tradução simultânea (português, francês e em sranantongo) incluíram uma rica troca de experiência sobre as diferentes maneiras com que cada comunidade lida com essas questões e as soluções que têm sido discutidas localmente. As atividades incluíram grupos de trabalho, plenárias, apresentações temáticas e culturais.

2009-12-04-15h09m42Garimpo e Mineração - Entre os temas discutidos, a problemática do garimpo, ganhou relevância.  “Estamos com um problema regional, uma mesma geologia em que o ouro está presente e os mesmos problemas sócio-econômicos. O fluxo em busca do ouro torna o problema transfronteiriço. As conseqüências desta atividade são regionais e implicam em desmatamento, poluição dos rios e fragmentação social. Estão sendo feitos esforços por parte dos governos. Aqui, temos que discutir como podemos contribuir para a solução desses problemas” disse Romain Taravella do WWF da Guiana Francesa, no início das discussões. Franck Appolinaire, Kali´na da Association Yawoya d´Awala-Yalimapo, ao apresentar as conclusões do grupo de garimpo e mineração, afirmou que “a poluição dos rios e da floresta, a contaminação dos peixes e depois dos homens e das mulheres, a perda da autoridade, a violência e o tráfico estão entre os principais impactos que os garimpos trazem para as comunidades indígenas”. Por isso, ressaltou que os representantes indígenas chegaram a uma posição comum: “não queremos nem garimpo, nem mineração em nossos territórios, e nem fora deles, quando eles trouxerem conseqüências que nos atingem”. Salientando que entendiam tratar-se de um problema em escala local, nacional e regional, Appolinaire afirmou que as comunidades indígenas não se sentem suficientemente informadas a respeito das ações governamentais para solucionar esse problema: “Em muitos casos, estamos pouco informados ou mal informados sobre as ações governamentais e sobre o processo de gestão política dessa temática, onde são tomadas as decisões”.

2009-12-03-10h10m09Terra e agricultura – Embora a situação de reconhecimento jurídico dos territórios indígenas seja distinto nos três países representados no Encontro, vários processos e problemas se mostraram comuns. A França não reconhece estatuto especial aos índios e só recentemente foram reconhecida zonas de direito de uso (ZDU) na Guiana Francesa, para que os ameríndios possam plantar suas roças e caçar. Como as terras indígenas no Brasil, essas ZDU são propriedade do Estado, mas os índios tem o usufruto exclusivo dessas áreas. Já o Suriname não reconhece territórios específicos aos índios. Discutiu-se no Encontro que quase todas as comunidades indígenas dessa região passaram por processos de concentração demográfica. Segundo a coordenadora do Observatório do CNRS, Françoise Grennand, esses processos implicaram na “sedentarização dos grupos indígenas e com isso cada vez mais as roças ficaram longe ou as capoeiras passaram a ser reaproveitadas cada vez mais cedo. Esses problemas se agravam na medida em que os projetos de desenvolvimento governamentais desconhecem a forma de ocupação tradicional dos índios e de seus padrões de dispersão e de mudanças das roças”. Rosena Wajãpi, do Brasil, afirmou que os povos indígenas estão preocupados e pensando no que fazer para que a caça, a pesca e a coleta não acabem. “Temos que fazer mapas dos recursos naturais nos nossos territórios. Temos que fazer pesquisa para conhecer mais e temos que fazer planos de vida e de gestão territorial” propôs Rosena ao apresentar os resultados de um dos grupos de discussão do Encontro. Já Louise Touanke, Wayana do Alto Maroni, na Guiana Francesa, em sua apresentação dos resultados das discussões sobre terra e agricultura, afirmou que “após períodos de concentração, o que está em curso em toda a região são processos de dispersão territorial” e que “os povos indígenas estão preocupados em não perder o conhecimento tradicional sobre a natureza, ainda mais quando as crianças passam a freqüentar a escola e a viver fora da comunidade por muitos anos”. Uma alternativa apontada seria a prática de uma educação diferenciada, como proposta no Brasil, mas que não existe na Guiana Francesa nem no Suriname. Ainda segundo Louise, em seu grupo de concluiu-se que “as comunidades estão crescendo, há muitas crianças e é preciso se preocupar com o futuro delas. Seríamos felizes se nossas crianças pudessem viver tão bem quanto nós. Por isso, precisamos de terra e de que as crianças não saiam para a escola. A gente quer viver do jeito que a gente sabe e quer”.

2009-12-02-12h43m39Continuidade da articulação transfronteiriça - Ao término deste Segundo Encontro, líderes indígenas dos três países se revezaram nos discursos de despedida, afirmando que, apesar de viverem situações particulares e específicas nos três países, o Encontro tinha lhes possibilitado a oportunidade de se encontrarem, discutirem problemas comuns e buscarem soluções em conjunto. De acordo com o secretário-executivo do Iepé, Luís Donisete Benzi Grupioni, essa era a principal intenção ao se promover esses encontros: “Estamos propondo a constituição de uma rede de articulação entre diferentes atores sociais, indígenas e indigenistas, e representantes governamentais, para enfrentar problemas que têm caráter regional e que afetam os povos indígenas que vivem nesses três países”.
Um próximo encontro foi proposto para 2010, em Paramaribo no Suriname, cobrindo assim os três países da região. Para este próximo encontro foram sugeridos, pelos participantes indígenas, novos temas: mudanças climáticas nas comunidades indígenas, violência contra as mulheres, drogas e álcool nas comunidades indígenas, o futuro dos jovens indígenas, perda e esquecimento da língua, povos isolados e parques nacionais, movimento indígena nos três países e grandes obras de infra-estrutura.

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Última atualização em Ter, 13 de Abril de 2010 11:56
 
Novo endereço do escritório do Iepé em Macapá Imprimir E-mail

A sede do escritório do Iepé em Macapá se encontra agora em novo endereço:

Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena
Av. Raimundo Álvares da Costa. 1689 - Bairro Central
Macapá / AP 
CEP: 68.900-074  
Tel/Fax:  96- 3223-7633 / 3223-2052
E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Última atualização em Ter, 29 de Setembro de 2009 14:17
 
Iepé lança novo número do boletim ambiental Imprimir E-mail
O Plano de Vida dos Povos Indígenas do Oiapoque é o tema novo número do boletim ambiental  Povos Indígenas e Meio Ambiente lançado pelo Iepé. Este número faz um relato acerca do processo de discussão e elaboração de um plano de gestão sócio-ambiental para as terras indígenas do Oiapoque, onde vivem cerca de 7 mil índios. Mostra como foram construídas as idéias para se garantir uma melhor qualidade de vida, tanto no âmbito social quanto ambiental, por parte de seus maiores interessados: os povos da região, em articulação com seus parceiros e órgãos de governo. O Plano de Vida do Oiapoque foi lançado em Macapá 2m 28 e 29 de agosto de 2009.
 
 
Para a elaboração desse Plano de Vida foi proposto e executado um planejamento participativo, ou seja, as propostas foram construídas coletivamente com a participação direta dos principais interessados. Assim, as idéias, os objetivos, as prioridades, os problemas e soluções foram compartilhados e organizados por todos, procurando atender as necessidades e desejos de toda a comunidade. Oito etapas foram previstas para colocar o Plano de Vida em funcionamento: 1) articulação dos parceiros; 2) mobilização; 3) oficinas de planejamento; 4) validação pelas comunidades; 5) elaboração de projetos; 6) implementação dos projetos; 7) monitoramento participativo; e 8) avaliação da implementação do Plano de Vida. Todas essas etapas têm como objetivo principal definir de maneira clara e objetiva as mudanças necessárias para a melhoria da qualidade de vida dos povos indígenas da região.
Última atualização em Seg, 28 de Setembro de 2009 15:01
 
Inauguração do Centro de Formação e Documentação Wajãpi Imprimir E-mail

O Centro de Formação e Documentação Wajãpi servirá para guardar nossas heranças para nossa geração presente e futuras gerações. É um lugar onde vamos trabalhar o fortalecimento e a valorização de conhecimentos importantes dos Wajãpi. É onde vai ficar guardado os seguintes documentos: fotografias, imagens, filmes, CDs, DVDs, documentos escritos, pesquisas, livros, etc. Lá, vai ter oficinas, cursos, estágios e reuniões.

Diretoria do Apina

O que é?
É um centro construído na Terra Indígena Wajãpi para apoiar algumas atividades do Plano de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Wajãpi, especialmente a formação de pesquisadores, professores e documentaristas indígenas. Esse Plano de Salvaguarda foi aprovado pela Unesco quando proclamou a arte gráfica e a tradição oral dos Wajãpi como Patrimônio da Humanidade. O CFDW abrigará uma das unidades do Pontão de Cultura “Arte e Vida dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará”, mantido pelo Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena e pelo Apina – Conselho das Aldeias Wajãpi, com apoio do Ministério da Cultura e do IPHAN. A construção do CFDW foi realizada pelo Iepé e pelo Apina com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e seus equipamentos foram adquiridos com apoio da Petrobras, do IPHAN, da Unesco-Brasil e da Embaixada da Austrália.

O que vai ter lá?
O Centro possui salas de pesquisa e um espaço para a realização de oficinas, cursos e reuniões, além de alojamentos para os Wajãpi residentes em outras aldeias e consultores atuando no processo de formação de professores e pesquisadores indígenas.
As salas de pesquisa vão abrigar a documentação produzida pelos pesquisadores e documentaristas wajãpi envolvidos na produção de um inventário das manifestações culturais dos Wajãpi. Também abrigarão o acervo documental produzido e doado pela antropóloga Dominique Tilkin Gallois, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da USP, que vem realizando pesquisas junto aos Wajãpi desde o final da década de 1970. No Centro, os Wajãpi também terão acesso aos resultados de outras pesquisas realizadas junto ao grupo e a documentos sobre outros povos indígenas do Brasil e do mundo.
O Centro está equipado com computadores, impressoras, televisão e aparelho de DVD, internet e radiofonia, que funcionam com sistema de energia solar.
A responsabilidade pelo cuidado e uso do CFDW será dos pesquisadores Wajãpi e dos membros da diretoria do Apina.

Por que é importante?
O Centro é importante porque permitirá que os Wajãpi tenham acesso a vários tipos de documentos produzidos sobre o grupo e também lhes dará melhores condições para produzirem seus próprios documentos e registros, apresentando sua própria visão sobre a realidade em que vivem. Sendo um local de produção e difusão de conhecimentos, o Centro deve contribuir para aumentar o interesse dos jovens wajãpi por sua própria cultura e seu envolvimento nos processos de transmissão de conhecimentos e práticas tradicionais.  

Para que vai servir?
Além de guardar documentos escritos, imagens e registros áudio-visuais referentes às manifestações culturais e à história dos Wajãpi, o Centro possuirá equipamentos que permitirão a reprodução destes documentos e sua distribuição para as aldeias. O Centro vai ser um local de trabalho para os pesquisadores e documentaristas indígenas e também abrigará cursos, estágios e oficinas que o Iepé vem realizando, com apoio de diversas instituições, para capacitar os Wajãpi no desenvolvimento deste trabalho.

Onde fica?
Na Terra Indígena Wajãpi, no posto Aramirã, que fica no oeste do Estado do Amapá, nos municípios de Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jari.

Inauguração:
01 de setembro de 2009, às 12 horas
Terra Indígena Wajãpi, Amapá

Mais informações, contatar: Apina - Tel (96) 3224-2113 c/ Ângela e Iepé - Tel (96) 3223-7633 c/ Simone

Realização:

Patrocínio:

Última atualização em Qui, 29 de Outubro de 2009 13:19
 
Museu Kuahi, no Oiapoque, recebe exposição dos Wajãpi Imprimir E-mail

No dia 29 de maio, o Museu Kuahí dos Povos Indígenas do Oiapoque inagurou a exposição temporária Jane Reko Mokasia – Organização Social dos Wajãpi. Esta exposição foi elaborada pelos pesquisadores Wajãpi como parte das ações do Plano de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Wajãpi. Com artefatos, fotos, textos, desenhos e ambientações, a exposição pretende mostrar aspectos do modo de vida do povo Wajãpi. Inaugurada inicialmente na Fortaleza São José de Macapá, no final de 2008, a remontagem da exposição no Museu Kuahí deve ficar aberta ao público até outubro de 2009.

A inaguração contou com a presença do presidente da Funai, Márcio Meira, do prefeito de Oiapoque, vereadores, lideranças indígenas do Oiapoque, representantes do governo do Estado do Amapá, Funai e do Iepé, além de uma delegação de índios Wajãpi, que passou uma semana em Oiapoque, fazendo a monitoria da exposição.

A exposição foi realizada pelo Apina-Conselho das Aldeias Wajãpi e Iepé, com apoio do Museu do Índio-Funai, Museu Kuahí, AER-Funai Macapá e Oiapoque e Secult.

Um catálogo especialmente preparado para a exposição está sendo distribuído aos visitantes.
 

Última atualização em Seg, 27 de Julho de 2009 10:15
 
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