Iepé é o termo tradicionamente utilizado pelos grupos indígenas das Guianas para designar o amigo e parceiro de troca nas complexas redes de intercâmbio que esses grupos mantêm entre si.

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Lixo é tema de boletim ambiental Imprimir E-mail

"O problema do lixo nas terras indígenas” é o tema do novo númerodo boletim ambiental Povos Indígenas e Meio Ambiente – Amapá e norte do Pará, editado pelo Iepé. O texto aborda a questão do aumento do lixo como um dos grandes problemas ambientais no mundo todo, evidenciando que este não é mais só um problema das cidades e centros urbanos: hoje também é um problema para as terras indígenas e seu entorno. O boletim aborda, ainda, as dificuldades de dar um tratamento adequado ao lixo, a questão dos lixos mais perigosos e da experiência do Iepé de apoiar a construção de fornos incineradores nas terras indígenas.

Última atualização em Qua, 17 de Fevereiro de 2010 11:46
 
Iepé tem nova razão social Imprimir E-mail

De acordo com seu novo Estatuto, o Iepé tem uma nova razão social, passando a denorminar-se Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação Indígena.

Última atualização em Qua, 13 de Janeiro de 2010 10:13
 
Segundo Encontro Transfronteiriço dos Povos Indígenas do Norte do Pará, Amapá, Suriname e Guiana Francesa Imprimir E-mail

2009-12-02-13h00m59De 1 a 4 de dezembro de 2009 em Saint Georges de l’Oyapok, Guiana Francesa aconteceu o “Segundo Encontro Transfronteiriço dos Povos Indígenas do Norte do Pará, Amapá, Suriname e Guiana Francesa”. O evento foi promovido pelo Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena, em parceria com o Observatório Homem/Ambiente “Oyapock, um rio compartilhado”, do Centre National de la Recherche Scientifique – CNRS, com a colaboração do prefeitura de Saint Georges de l’Oyapok e de Camopi na Guiana Francesa.

O encontro contou com a presença de mais de 170 representantes das etnias Wajãpi, Tiriyó, Wayana, Aparai, Galibi, Galibi-Marworno, Karipuna, Palikur, Kali’na e Teko, e representantes de organizações indigenistas, ambientalistas e de órgãos governamentais dos três países. Durante o encontro foram discutidos temas que já vinham sendo desenvolvidos desde a primeira reunião transfronteiriça, promovida pelo Iepé e realizada em novembro de 2008, na cidade de Macapá, entre eles: garimpo e mineração em territórios indígenas e no seu entorno; agricultura; manejo da caça, da pesca e das atividades extrativistas; e produção de artesanato e gestão das matérias-primas. Os debates, realizados com tradução simultânea (português, francês e em sranantongo) incluíram uma rica troca de experiência sobre as diferentes maneiras com que cada comunidade lida com essas questões e as soluções que têm sido discutidas localmente. As atividades incluíram grupos de trabalho, plenárias, apresentações temáticas e culturais.

2009-12-04-15h09m42Garimpo e Mineração - Entre os temas discutidos, a problemática do garimpo, ganhou relevância.  “Estamos com um problema regional, uma mesma geologia em que o ouro está presente e os mesmos problemas sócio-econômicos. O fluxo em busca do ouro torna o problema transfronteiriço. As conseqüências desta atividade são regionais e implicam em desmatamento, poluição dos rios e fragmentação social. Estão sendo feitos esforços por parte dos governos. Aqui, temos que discutir como podemos contribuir para a solução desses problemas” disse Romain Taravella do WWF da Guiana Francesa, no início das discussões. Franck Appolinaire, Kali´na da Association Yawoya d´Awala-Yalimapo, ao apresentar as conclusões do grupo de garimpo e mineração, afirmou que “a poluição dos rios e da floresta, a contaminação dos peixes e depois dos homens e das mulheres, a perda da autoridade, a violência e o tráfico estão entre os principais impactos que os garimpos trazem para as comunidades indígenas”. Por isso, ressaltou que os representantes indígenas chegaram a uma posição comum: “não queremos nem garimpo, nem mineração em nossos territórios, e nem fora deles, quando eles trouxerem conseqüências que nos atingem”. Salientando que entendiam tratar-se de um problema em escala local, nacional e regional, Appolinaire afirmou que as comunidades indígenas não se sentem suficientemente informadas a respeito das ações governamentais para solucionar esse problema: “Em muitos casos, estamos pouco informados ou mal informados sobre as ações governamentais e sobre o processo de gestão política dessa temática, onde são tomadas as decisões”.

2009-12-03-10h10m09Terra e agricultura – Embora a situação de reconhecimento jurídico dos territórios indígenas seja distinto nos três países representados no Encontro, vários processos e problemas se mostraram comuns. A França não reconhece estatuto especial aos índios e só recentemente foram reconhecida zonas de direito de uso (ZDU) na Guiana Francesa, para que os ameríndios possam plantar suas roças e caçar. Como as terras indígenas no Brasil, essas ZDU são propriedade do Estado, mas os índios tem o usufruto exclusivo dessas áreas. Já o Suriname não reconhece territórios específicos aos índios. Discutiu-se no Encontro que quase todas as comunidades indígenas dessa região passaram por processos de concentração demográfica. Segundo a coordenadora do Observatório do CNRS, Françoise Grennand, esses processos implicaram na “sedentarização dos grupos indígenas e com isso cada vez mais as roças ficaram longe ou as capoeiras passaram a ser reaproveitadas cada vez mais cedo. Esses problemas se agravam na medida em que os projetos de desenvolvimento governamentais desconhecem a forma de ocupação tradicional dos índios e de seus padrões de dispersão e de mudanças das roças”. Rosena Wajãpi, do Brasil, afirmou que os povos indígenas estão preocupados e pensando no que fazer para que a caça, a pesca e a coleta não acabem. “Temos que fazer mapas dos recursos naturais nos nossos territórios. Temos que fazer pesquisa para conhecer mais e temos que fazer planos de vida e de gestão territorial” propôs Rosena ao apresentar os resultados de um dos grupos de discussão do Encontro. Já Louise Touanke, Wayana do Alto Maroni, na Guiana Francesa, em sua apresentação dos resultados das discussões sobre terra e agricultura, afirmou que “após períodos de concentração, o que está em curso em toda a região são processos de dispersão territorial” e que “os povos indígenas estão preocupados em não perder o conhecimento tradicional sobre a natureza, ainda mais quando as crianças passam a freqüentar a escola e a viver fora da comunidade por muitos anos”. Uma alternativa apontada seria a prática de uma educação diferenciada, como proposta no Brasil, mas que não existe na Guiana Francesa nem no Suriname. Ainda segundo Louise, em seu grupo de concluiu-se que “as comunidades estão crescendo, há muitas crianças e é preciso se preocupar com o futuro delas. Seríamos felizes se nossas crianças pudessem viver tão bem quanto nós. Por isso, precisamos de terra e de que as crianças não saiam para a escola. A gente quer viver do jeito que a gente sabe e quer”.

2009-12-02-12h43m39Continuidade da articulação transfronteiriça - Ao término deste Segundo Encontro, líderes indígenas dos três países se revezaram nos discursos de despedida, afirmando que, apesar de viverem situações particulares e específicas nos três países, o Encontro tinha lhes possibilitado a oportunidade de se encontrarem, discutirem problemas comuns e buscarem soluções em conjunto. De acordo com o secretário-executivo do Iepé, Luís Donisete Benzi Grupioni, essa era a principal intenção ao se promover esses encontros: “Estamos propondo a constituição de uma rede de articulação entre diferentes atores sociais, indígenas e indigenistas, e representantes governamentais, para enfrentar problemas que têm caráter regional e que afetam os povos indígenas que vivem nesses três países”.
Um próximo encontro foi proposto para 2010, em Paramaribo no Suriname, cobrindo assim os três países da região. Para este próximo encontro foram sugeridos, pelos participantes indígenas, novos temas: mudanças climáticas nas comunidades indígenas, violência contra as mulheres, drogas e álcool nas comunidades indígenas, o futuro dos jovens indígenas, perda e esquecimento da língua, povos isolados e parques nacionais, movimento indígena nos três países e grandes obras de infra-estrutura.

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Última atualização em Seg, 11 de Janeiro de 2010 15:11
 
Novo endereço do escritório do Iepé em Macapá Imprimir E-mail

A sede do escritório do Iepé em Macapá se encontra agora em novo endereço:

Iepé - Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena
Av. Raimundo Álvares da Costa. 1689 - Bairro Central
Macapá / AP 
CEP: 68.900-074  
Tel/Fax:  96- 3223-7633 / 3223-2052
E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Última atualização em Ter, 29 de Setembro de 2009 14:17
 
Iepé lança novo número do boletim ambiental Imprimir E-mail
O Plano de Vida dos Povos Indígenas do Oiapoque é o tema novo número do boletim ambiental  Povos Indígenas e Meio Ambiente lançado pelo Iepé. Este número faz um relato acerca do processo de discussão e elaboração de um plano de gestão sócio-ambiental para as terras indígenas do Oiapoque, onde vivem cerca de 7 mil índios. Mostra como foram construídas as idéias para se garantir uma melhor qualidade de vida, tanto no âmbito social quanto ambiental, por parte de seus maiores interessados: os povos da região, em articulação com seus parceiros e órgãos de governo. O Plano de Vida do Oiapoque foi lançado em Macapá 2m 28 e 29 de agosto de 2009.
 
 
Para a elaboração desse Plano de Vida foi proposto e executado um planejamento participativo, ou seja, as propostas foram construídas coletivamente com a participação direta dos principais interessados. Assim, as idéias, os objetivos, as prioridades, os problemas e soluções foram compartilhados e organizados por todos, procurando atender as necessidades e desejos de toda a comunidade. Oito etapas foram previstas para colocar o Plano de Vida em funcionamento: 1) articulação dos parceiros; 2) mobilização; 3) oficinas de planejamento; 4) validação pelas comunidades; 5) elaboração de projetos; 6) implementação dos projetos; 7) monitoramento participativo; e 8) avaliação da implementação do Plano de Vida. Todas essas etapas têm como objetivo principal definir de maneira clara e objetiva as mudanças necessárias para a melhoria da qualidade de vida dos povos indígenas da região.
Última atualização em Seg, 28 de Setembro de 2009 15:01
 
Inauguração do Centro de Formação e Documentação Wajãpi Imprimir E-mail

O Centro de Formação e Documentação Wajãpi servirá para guardar nossas heranças para nossa geração presente e futuras gerações. É um lugar onde vamos trabalhar o fortalecimento e a valorização de conhecimentos importantes dos Wajãpi. É onde vai ficar guardado os seguintes documentos: fotografias, imagens, filmes, CDs, DVDs, documentos escritos, pesquisas, livros, etc. Lá, vai ter oficinas, cursos, estágios e reuniões.

Diretoria do Apina

O que é?
É um centro construído na Terra Indígena Wajãpi para apoiar algumas atividades do Plano de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Wajãpi, especialmente a formação de pesquisadores, professores e documentaristas indígenas. Esse Plano de Salvaguarda foi aprovado pela Unesco quando proclamou a arte gráfica e a tradição oral dos Wajãpi como Patrimônio da Humanidade. O CFDW abrigará uma das unidades do Pontão de Cultura “Arte e Vida dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará”, mantido pelo Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena e pelo Apina – Conselho das Aldeias Wajãpi, com apoio do Ministério da Cultura e do IPHAN. A construção do CFDW foi realizada pelo Iepé e pelo Apina com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet, e seus equipamentos foram adquiridos com apoio da Petrobras, do IPHAN, da Unesco-Brasil e da Embaixada da Austrália.

O que vai ter lá?
O Centro possui salas de pesquisa e um espaço para a realização de oficinas, cursos e reuniões, além de alojamentos para os Wajãpi residentes em outras aldeias e consultores atuando no processo de formação de professores e pesquisadores indígenas.
As salas de pesquisa vão abrigar a documentação produzida pelos pesquisadores e documentaristas wajãpi envolvidos na produção de um inventário das manifestações culturais dos Wajãpi. Também abrigarão o acervo documental produzido e doado pela antropóloga Dominique Tilkin Gallois, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da USP, que vem realizando pesquisas junto aos Wajãpi desde o final da década de 1970. No Centro, os Wajãpi também terão acesso aos resultados de outras pesquisas realizadas junto ao grupo e a documentos sobre outros povos indígenas do Brasil e do mundo.
O Centro está equipado com computadores, impressoras, televisão e aparelho de DVD, internet e radiofonia, que funcionam com sistema de energia solar.
A responsabilidade pelo cuidado e uso do CFDW será dos pesquisadores Wajãpi e dos membros da diretoria do Apina.

Por que é importante?
O Centro é importante porque permitirá que os Wajãpi tenham acesso a vários tipos de documentos produzidos sobre o grupo e também lhes dará melhores condições para produzirem seus próprios documentos e registros, apresentando sua própria visão sobre a realidade em que vivem. Sendo um local de produção e difusão de conhecimentos, o Centro deve contribuir para aumentar o interesse dos jovens wajãpi por sua própria cultura e seu envolvimento nos processos de transmissão de conhecimentos e práticas tradicionais.  

Para que vai servir?
Além de guardar documentos escritos, imagens e registros áudio-visuais referentes às manifestações culturais e à história dos Wajãpi, o Centro possuirá equipamentos que permitirão a reprodução destes documentos e sua distribuição para as aldeias. O Centro vai ser um local de trabalho para os pesquisadores e documentaristas indígenas e também abrigará cursos, estágios e oficinas que o Iepé vem realizando, com apoio de diversas instituições, para capacitar os Wajãpi no desenvolvimento deste trabalho.

Onde fica?
Na Terra Indígena Wajãpi, no posto Aramirã, que fica no oeste do Estado do Amapá, nos municípios de Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jari.

Inauguração:
01 de setembro de 2009, às 12 horas
Terra Indígena Wajãpi, Amapá

Mais informações, contatar: Apina - Tel (96) 3224-2113 c/ Ângela e Iepé - Tel (96) 3223-7633 c/ Simone

Realização:

Patrocínio:

Última atualização em Qui, 29 de Outubro de 2009 13:19
 
Museu Kuahi, no Oiapoque, recebe exposição dos Wajãpi Imprimir E-mail

No dia 29 de maio, o Museu Kuahí dos Povos Indígenas do Oiapoque inagurou a exposição temporária Jane Reko Mokasia – Organização Social dos Wajãpi. Esta exposição foi elaborada pelos pesquisadores Wajãpi como parte das ações do Plano de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Wajãpi. Com artefatos, fotos, textos, desenhos e ambientações, a exposição pretende mostrar aspectos do modo de vida do povo Wajãpi. Inaugurada inicialmente na Fortaleza São José de Macapá, no final de 2008, a remontagem da exposição no Museu Kuahí deve ficar aberta ao público até outubro de 2009.

A inaguração contou com a presença do presidente da Funai, Márcio Meira, do prefeito de Oiapoque, vereadores, lideranças indígenas do Oiapoque, representantes do governo do Estado do Amapá, Funai e do Iepé, além de uma delegação de índios Wajãpi, que passou uma semana em Oiapoque, fazendo a monitoria da exposição.

A exposição foi realizada pelo Apina-Conselho das Aldeias Wajãpi e Iepé, com apoio do Museu do Índio-Funai, Museu Kuahí, AER-Funai Macapá e Oiapoque e Secult.

Um catálogo especialmente preparado para a exposição está sendo distribuído aos visitantes.
 

Última atualização em Seg, 27 de Julho de 2009 10:15
 
Declaração de Oslo sobre Povos Indígenas e Mudanças Climáticas Imprimir E-mail

O Iepé participou do Encontro Mundial de Parceiros da Rainforest Foundation da Noruega, de 15 a 17 de junho de 2009, quando se discutiu o papel dos povos indígenas na manutenção das florestas tropicais e a questão da mudança climática. Ao término do Encontro foi elaborada uma declaração com a posição de 20 organizações não-governamentais de 14 diferentes países, contendo o resultado das discussões do Encontro, reproduzida a seguir.

De 15 a 17 de Junho de 2009 um grupo de mais de cem pessoas provenientes de 14 diferentes países, representando 20 organizações, reuniu-se na Noruega para discutir temas nos quais se envolvem cotidianamente e que afetam o mundo inteiro: mudanças climáticas, proteção de florestas e o papel desempenhado pelos povos indígenas a pelas comunidades locais. Embora tenhamos vindo de todas as partes do planeta e de diversos países, nossas comunidades compartilham os mesmos desafios e preocupações. Enquanto organizações atuando em países contendo florestas tropicais, temos longamente trabalhado pela garantia de direitos, pelo manejo sustentável e comunitário das florestas, e pela proteção da biodiversidade. As mudanças climáticas representam novos desafios, mas nossas atividades também contribuem para sua solução. Ao proteger e promover os direitos dos povos da floresta mantemos as florestas em pé e desta forma lidamos com as mudanças climáticas. O desflorestamento e a degradação das florestas constituem 20 por cento das emissões de gases de efeito estufa, todos os anos; portanto, o trabalho em que estamos engajados – e que nos comprometemos em aprofundar – é crucial.
Para governos e empresas, as florestas são uma simples questão de perdas e ganhos; para as comunidades, são questão de vida e morte. Os interesses divergentes levaram a conflitos e violações dos direitos humanos. Ao defender suas terras e florestas, povos indígenas enfrentaram ameaças e, em muitos casos, violência explícita. Este foi o caso recente no Peru, onde dezenas de indígenas foram mortos quando protestavam contra a expansão das atividades destrutivas em suas florestas. Os trágicos eventos no Peru representam uma clara lembrança da importância em respeitar os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais, e particularmente seu direito ao consentimento livre, prévio e informado para quaisquer atividades que afetem suas terras, territórios e recursos.

As florestas são muito mais do que estoques de carbono. São o lar de mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo que delas dependem, totalmente, para sua sobrevivência. Na verdade, todo o planeta depende das florestas. Florestas vicejantes propiciam oxigênio, água pura, medicamentos vitais e inúmeros outros benefícios. Os povos indígenas e as comunidades locais têm sido os principais guardiões das florestas desde tempos imemoriais, através de seus conhecimentos e usos tradicionais.

Através dos tempos, temos visto muitas iniciativas objetivando a proteção das florestas. A maioria fracassou porque foram impostas de cima para baixo e não incluíram as pessoas que estão, genuinamente, na frente de combate pela proteção das florestas – as comunidades que vivem na floresta, e da floresta. As recentes iniciativas para reduzir as emissões devidas ao desflorestamento e à degradação das florestas – conhecidas como REDD – não podem repetir os mesmos erros do passado.

REDD pode representar uma oportunidade, mas somente se reconhecer e garantir os direitos e o papel dos povos indígenas e das comunidades locais na proteção das florestas. Toda iniciativa relativa a florestas e climas deve:

  • ser inclusiva e garantir a ampla participação dos povos indígenas e das comunidades locais, desde as fase de projeto e planejamento, até a implementação e o monitoramento;
  • respeitar e seguir as leis internacionais, convenções e normas que protegem os direitos dos povos indigenas e das comunidades locais, incluso o direito de povos indigenas de consentimento livre, prévio e informado, e a lei e os costumes tradicionais de povos que dependem da floresta;
  • fortalecer os papéis, os direitos e a capacitação dos povos indígenas e das comunidades locais e as suas organizações, e reforçar e promover sistemas indigenas de manejo de recursos e conhecimentos tradicionais;
  • basear-se na posse comunitária e na propriedade e uso tradicional das terras como pré-requisitos para a efetiva proteção das florestas;
  • apoiar e promover a boa governança, particularmente em relação a políticas florestais e o reforço das leis;
  • garantir uma proteção que persiste de florestas nativas, considerando elas como uma fonte de sustento e de enorme biodiversidade, e reconhecer que plantações não são florestas;
  • visar os verdadeiros promotores do desflorestamento e da degradação das florestas – tais como o corte industrial de madeira, a conversão de florestas em plantações e outros usos agro-industriais, mineração e outras industrias extrativas em grande escala, e o desenvolvimento de infra-estrutura;
  • buscar a redução do consumo de madeira e de produtos agrícolas em larga escala provenientes de floretas degradadas ou convertidas;
  • garantir a repartição transparente e justa dos benefícios, e que estes cheguem até as comunidades da floresta;
  • garantir acesso a sistemas de prevenção e resolução de conflitos, e mecanismos para lançar queixas que são transparentes, imparciais e participativos, para que as comunidades estejam aptas a buscar justiça para os impactos negativos das ações de REDD e resolver conflitos que podem surgir em relação ao uso, a posse e o acesso às florestas;
  • não ser usada pelos os países desenvolvidos como pretexto para isenção na redução de suas próprias emissões;
  • apoiar, mas não substituir, as obrigações dos governos em respeitar e promover os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais, incluindo seu direito ao desenvolvimento sustentável.

Ao mesmo tempo em que o interesse mundial pela importância das florestas para o clima representa uma oportunidade para mudar a forma pela qual os países buscam seu desenvolvimento, a possibilidade de fracasso é grande. Se REDD não respeitar os princípios listados acima, poderá comprometer as florestas, os povos da floresta e o planeta. REDD pode representar um importante novo começo; asseguremo-nos que não seja o começo do fim.

Oslo, 18 de Junho 2009

FOBOMADE - Foro Boliviano sobre Medio Ambiente y Desarrollo, Bolivia
OSAPY - Organisation d’Accompagnement et d’Appui aux Pygmées, RDC
CPILAP - Central de Pueblos Indígenas de la Paz, Bolivia
UEFA - Union pour l’Emancipation de la Femme Autochtone, RDC
CIDOB - Confederación de Pueblos Indígenas en Bolivia
DIPY - Dignité Pygmée, RDC
OCEAN - Organisation Concertée des Écologistes et Amis de la Nature, RDC
CIPOAP - Central Indígena de Pueblos Originarios de la Amazonía de Pando, Bolivia
AMAN - Aliansi Masyarakat Adat Nusantara, Indonesia
CPI - Comissão Pró-Índio do Acre, Brasil
HUMA - Association for Community and Ecologically-based Law Reform, Indonesia
CTI - Centro de Trabalho Indigenista, Brasil
WARSI - Komunitas Konservasi Indonesia WARSI, Indonesia
IEPÉ - Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena, Brasil
YMC - Yayasan Citra Mandiri, Indonesia
RCA - Rede de Cooperação Alternativa, Brasil
YMP - Yayasan Merah Putih Palu, Indonesia
ISA - Instituto Socioambiental, Brasil
WALHI - Wahana Lingkungan Hidup, Indonesia
OPIAC - Organização dos Professores Indígenas do Acre, Brasil
FOKER - Forum Kerja Sama LSM Papua, Indonesia
FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, Brasil
YALI - Yayasan Lingkungan Hidup Papua, Indonesia
Hutukara - Brasil
PARADISEA - Indonesia
APINA - Brasil
EFF - Papua New Guinea Eco-forestry forum (PNG)
ATIX - Associação Terras Indígena Xingu, Brasil
PWM - Partners with Melanesians, PNG
AIDESEP - Asociación Interétnica de Desarrollo de la Selva Peruana, Peru
CELCOR - Center for Environmental Law and Community Rights, PNG
Racimos de Ungurahui - Peru
BRG - Bismarck Ramu Group, PNG
CIPA - Centro de Investigaciónes y Promoción Amazonica, Peru
ELC - Environmental Law Center, PNG
FORMABIAP - Formación de Maestros Bilingües y Intercultural en la Amazonía Peruana
BRIMAS - Borneo Resource Institute, Malaysia
ACIDI - Asociación de Comunidades Mbya-Guaraní de Itapúa, Paraguay
SAM - Friends of the Earth, Malaysia
SAI - Servicio de Apoyo Indigena, Paraguay
JOAS - Jaringan Orang Asal Se, Malaysia
CAPI - Coordinadora por la Autodeterminación de los Pueblos Indígenas, Paraguay
TEBTEBBA - Indigenous Peoples' International Centre for Policy Research and Education, Philippines
PCI - Pro Comunidades Indígenas, Paraguay
Rainforest Foundation Norway
Fundacion Pachamama - Ecuador
Rainforest Foundation United Kingdom
Wataniba - Venezuela
Rainforest Foundation USA
RRN - Réseau Ressources Naturelles, República Democrática do Congo (RDC)
Rainforest Fund
Réseau CREF - Réseau pour la Conservation et la Réhabilitation des Ecosystèmes Forestiers, RDC

Última atualização em Seg, 13 de Julho de 2009 10:13
 
Iepé lança livro sobre legislação ambiental e indigenista Imprimir E-mail

Capa cartilhaLegislação ambiental e indigenista: uma aproximação ao direito socioambiental no Brasil é o título da mais nova publicação preparada pelo Iepé. Organizada pelo antropólogo Luis Fernando Pereira, o livro apresenta, comenta e discute leis que regulam a relação entre pessoas, comunidades e meio ambiente. A partir de exemplos focados no Amapá e norte do Pará, especialmente no que se refere a áreas protegidas, são comentados aspectos da legislação ambiental e indigenista brasileira, os quais também se aplicam a outras regiões do Brasil.

A proposta geral da publicação é responder as dúvidas mais freqüentes que surgem no dia-a-dia em relação à legislação que trata de áreas protegidas, sejam elas terras indígenas ou unidades de conservação. Por meio de perguntas e respostas buscou-se reunir informações que possam ser úteis para aquelas pessoas que vivem nessas áreas ou em seu entorno.

Ela foi preparada a partir de cursos, oficinas e seminários com representantes indígenas, agricultores e extrativistas, no âmbito do Projeto “Unidades de Conservação e Terras Indígenas: uma proposta de mosaico para o oeste do Amapá e norte do Pará”, desenvolvido pelo Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena, com apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) do Ministério do Meio Ambiente (MMA). A proposta principal desse projeto é articular as pessoas que vivem, trabalham e mantêm relações na região oeste do Estado do Amapá e do norte do Pará, principalmente de representantes dos povos que vivem nas Terras Indígenas Wajãpi e Parque Indígena do Tumucumaque, assim como dos moradores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e das populações que vivem no entorno do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. O objetivo é formar um mosaico entre essas unidades de conservação e terras indígenas, fortalecendo a articulação entre essas populações e buscando uma gestão integrada e participativa que possa garantir a conservação ambiental da região, bem como propostas de desenvolvimento sustentável, que atendam às necessidades e interesses dessas populações.

Sabe-se que o Brasil é um país de muitas leis. Para que elas sejam cumpridas, é muito importante que elas sejam conhecidas. O Iepé espera que as informações reunidas nesta publicação sejam úteis e possam colaborar para o fortalecimento de propostas de desenvolvimento sustentável, que aliem o bem estar das populações com a preservação do meio ambiente em que elas vivem.

A publicação contou com apoio da Embaixada do Reino dos Países Baixos, Embaixada da Noruega e da Rainforest Foundation da Noruega. Interessados podem contatar o Iepé para receber a publicação, que em breve estará disponível em nosso site.


Última atualização em Qui, 25 de Junho de 2009 11:19
 
Iepé tem nova sede em São Paulo Imprimir E-mail
Desde 17 de março o escritório do Iepé, em São Paulo, funciona em novo endereço e com novos telefones:
Rua Professor Monjardino, 19
Vila Sônia
05625-160 - São Paulo - SP
Tel/Fax. (11) 3746-7912
(11) 3569-4973
(11) 3569-4936
 
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Escritório São Paulo
Rua Professor Monjardino, 19 - Vila Sônia
São Paulo/SP - CEP 05625-160
Tel/Fax: 11-3746-7912 / 3569-4973 / 3569-4936   
email: sede-sp@tirar_essa_parte.institutoiepe.org.br

Escritório Macapá
Av. Raimundo Álvares da Costa, 1689 - Bairro Central
Macapá/AP CEP 68900-074
Tel/Fax: 96-3223-7633 / 3223-2052
email sede-macapa@tirar_essa_parte.institutoiepe.org.br