Acontece mais um módulo da formação dos agentes socioambientais na Terra Indígena Wajãpi

Entre os dias 17 de julho a 05 de agosto de 2017, no Centro de Formação e Documentação Wajãpi, aconteceu a sexta etapa da formação dos trinta agentes socioambientais wajãpi (ASA), conduzida pelo Iepé e TNC, no âmbito do projeto  “Fortalecimento da Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas na Amazônia como estratégia de controle do desmatamento e de promoção do bem estar das comunidades indígenas” apoiado pelo Fundo Amazônia (BNDES). A formação completa dois anos, e deu um importante passo neste módulo, com a consolidação das primeiras experiências de manejo que os ASA farão nas suas comunidades. Foram quatro disciplinas ministradas que procuraram discutir essa temática, inter-relacionando com a implementação e monitoramento do Plano de Gestão Socioambiental da Terra Indígena Wajãpi.

Na primeira semana do curso, o antropólogo Igor Scaramuzzi, em parceria com o ecólogo Juliano de Morais, ministraram a disciplina Práticas de Manejo Sustentável que visou discutir, a partir de experiências variadas de manejo agroflorestal, possibilidades de experimentos que possam ajudar na aceleração da sucessão capoeiras nas regiões centrais da TIW que, devido a ocupação mais antiga, tem uma diminuição significativa dos lugares bons para fazer roça. Para tal, além de discussões em sala, foram feitas visitas as capoeiras da região, para um melhor detalhamento de cada estágio de sucessão.

Dando continuidade a essa temática, a antropóloga Dominique Gallois, com o apoio do ecólogo Juliano de Moraes, ministraram o terceiro módulo da disciplina Sistemas de Conhecimento. Dominique e Juliano partiram do que tinha sido discutido na semana anterior, e detalharam os conhecimentos wajãpi sobre o processo de sucessão de uma capoeira, para em seguida, construir com os ASA um calendário de trabalho para o próximo semestre. Cada ASA propôs um experimento: plantar diferentes espécies de árvores (andiroba, castanha, entre outras) em um estágio específico da sucessão da capoeira (isawapa) para ajudar na aceleração do crescimento da floresta. Cada ASA irá experimentar três espécies diferentes, plantando, aproximadamente, 75 mudas. Esse é o primeiro experimento que os ASA irão fazer, e a proposta visa inter-relacionar  os conhecimentos wajãpi e os conhecimentos científicos sobre a floresta. Concomitantemente, o geógrafo Bruno Reis, ministrou a disciplina Instrumentos de Monitoramento e Gestão, que discutiu quais instrumentos poderiam auxiliar no monitoramento do Plano de Gestão Socioambiental da Terra Indígena Wajãpi. A temática foi pensada a partir da discussão das perguntas: para que monitorar? O que monitorar? Como sistematizar?. O principal resultado foi a proposta de um “diário de alimentação” que tem como principal objetivo monitorar a alimentação cotidiana dos ASA, incluindo caça, peixes e alimentos industrializados, para comparar a qualidade da alimentação nas diferentes regiões da TIW.

Por fim, na terceira semana do curso, foi ministrada a disciplina Gestão Socioambiental da Terra Indígena Wajãpi, por Maíra Posteraro com o apoio de Ana Blaser. O intuito dessa disciplina foi relembrar e discutir alguns aspectos importantes do Plano de Gestão Socioambiental da Terra Indígena Wajãpi. Foram retomados os problemas, as causas e acordos que estão no Plano, para, a partir disso, pensar um Plano de Monitoramento. Esse monitoramento será dividido em três eixos principais: áreas de ocupação das aldeias (que incluirá os caminhos de caça, pesca, palha, coleta de frutas etc.); descentralização das aldeias e o monitoramento dos experimentos. Foram feitos alguns exercícios de tradução e o acordado com os ASA é que no próximo semestre eles irão focar o monitoramento no Plano de Gestão na alimentação (por meio do diário de alimentação) e nos experimentos nas capoeiras. A próxima etapa do curso está prevista para dezembro.

 

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