Segunda etapa da Formação dos Agentes Socioambientais Indígenas é realizada no Oiapoque

De 23 de janeiro a 10 de fevereiro de 2017 realizou-se a segunda etapa da formação dos Agentes Socioambientais Indígenas do Oiapoque (AGAMIN) no Centro de Formação do 18km, na Aldeia Manga, TI Uaçá. Contou com a participação de 42 agentes socioambientais Karipuna, Galibi Marworno e Palikur das diferentes regiões das Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminã, no Amapá.

Na primeira semana ocorreu o segundo módulo da disciplina “Sistemas de Conhecimento”, ministrada pelo antropólogo Augusto Ventura dos Santos, retomando o debate em torno dos diferentes jeitos de conhecer e da importância da valorização dos conhecimentos indígenas para a gestão do território. Entre debates sobre conceitos de teoria, narrativa e reflexão, surgiram histórias de encontro com a cobra grande, da cobra que formou as montanhas do Oiapoque e dos conhecimentos dos diferentes povos indígenas da região sobre a paisagem. Foram também retomados conceitos relacionados à pesquisa, realizando-se exercícios de comparação e debate a partir de vídeos sobre os diferentes jeitos de dançar, de festejar, de fazer remédios e das diferentes formas de preconceito.

Os agentes socioambientais presentes apresentaram suas primeiras experiências de pesquisa, relatando as entrevistas e observações realizadas nas aldeias, sobre temáticas como: as formas de fazer roça; a fabricação de artefatos como canoa, cuia, peneira; as festas de santos; o turé; o pajé; entre outras. A partir das apresentações e por meio de atividades em grupos de trabalho temáticos e atendimentos individuais, a disciplina dedicou-se a trabalhar a continuidade das pesquisas que será feita no próximo retorno às aldeias.

A segunda disciplina, “Instrumentos de monitoramento territorial”, ministrada por Antonio Oviedo, iniciou com uma discussão sobre as ideias de gestão socioambiental e monitoramento, apontando para a importância de certas ferramentas para sistematizar o conhecimento sobre o território e ajudar no cuidado das terras indígenas. A disciplina trabalhou com os agentes socioambientais a elaboração de mapas, introduzindo o conceito de escala e a leitura de coordenadas sobre mapas em papel. Foram realizados diferentes exercícios práticos, a elaboração de mapas do Centro de Formação, levando em conta os principais elementos de um mapa e o uso de noções de escala e proporção.

Na segunda parte da disciplina, apresentou-se o aplicativo Cybertrack, ferramenta desenvolvida para auxiliar o monitoramento das terras indígenas do Oiapoque. O aplicativo permite monitorar ameaças, pesca, cultivo e manejo, além de fazer o registro de coordenadas (GPS) de pontos de interesse. Os agentes socioambientais aprenderam a operá-lo e cada região escolheu uma temática prioritária para realizar o monitoramento no período de dispersão do curso.

 

A terceira disciplina desta etapa da formação foi “Conceitos e políticas socioambientais”, ministrada pelo antropólogo Igor Scaramuzzi. Iniciou-se com a discussão sobre o que é um conceito, provocando os agentes socioambientais a definirem, nas suas palavras e de forma simples, expressões que costumam usar em diálogos com os não indígenas, tais como: meio ambiente, gestão, preservação, manejo, terra indígena, entre outras.

A partir da leitura de textos e de vídeos documentários, realizou-se um debate a respeito dos diferentes problemas socioambientais enfrentados pelo Brasil e pelo mundo, como o desmatamento, agronegócio, poluição, garimpo, etc. Discutiu-se a diferença entre a “produção em linha” e a “produção em círculo”, provocando uma reflexão sobre formas renováveis e as conseqüências de formas não renováveis de produção. Foram realizadas diferentes atividades de escrita de pequenos textos reflexivos, aos quais os agentes socioambientais demonstraram um retorno bastante positivo, tanto no sentido da expressão na linguagem escrita quanto no desenvolvimento de uma perspectiva crítica, tecendo relações entre as dimensões políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais dos problemas.

Esta segunda etapa do curso contou com o acompanhamento de Domingos Santa Rosa, Galibi Marworno técnico da CTL de etnodesenvolvimento da FUNAI/Oiapoque. No dia 03/02, contou-se com a presença do secretário municipal do Meio Ambiente, Oscar Gislael, que fez uma demonstração do uso do drone como uma ferramenta que também pode auxiliar o monitoramento territorial.

O curso de Formação de Agentes Socioambientais Indígenas do Oiapoque (AGAMIN) é uma conquista dos povos indígenas, assumindo o protagonismo da gestão socioambiental de suas terras. O curso é realizado em parceria pelo Iepé e TNC, no âmbito do projeto “Fortalecimento da Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas na Amazônia como estratégia de controle do desmatamento e de promoção do bem estar das comunidades indígenas” apoiado pelo Fundo Amazônia (BNDES).

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